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	<title>O Neuromancista &#187; viggo mortensen</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>A Estrada</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 16:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4829" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg" alt="theroad" width="300" height="485" /></a>O fim do mundo é um tema que sempre nos fascinou, sendo uma presença recorrente no nosso imaginário desde tempos remotos, manifestando-se  tanto na religião quanto nas Artes. As causas se moldam conforme o contexto da época: na Idade Média teve um caráter religioso, justificando-se por meio do <em>Apocalipse; </em>em tempos modernos, em particular durante meados do século XX,<em> </em>passou a ser uma hecatombe nuclear; e, em tempos contemporâneos, na destruição irreparável do meio-ambiente.</p>
<p>Em vista disso, explorar referido tema de forma original e interessante representa um desafio enorme, visto que o mesmo já foi trabalhado de incontáveis maneiras no decurso da história -- é necessário, portanto, um artista com bastante desenvoltura e, acima de tudo, talento.</p>
<p>E McCarthy tem talento para dar e vender.</p>
<p>Em <em><strong>A Estrada</strong></em> (Alfaguara, 234 páginas; R$ 36,90), acompanhamos as travessias de um pai e seu menino -- identificados exatamente dessa forma pelo autor -- numa América pós-apocalíptica, vítima de uma catástrofe que -- a fim de conferir um caráter atemporal à história -  nunca é especificada. Agarrando-se a um último fiapo de esperança, eles cruzam os Estados Unidos em direção ao mar, na esperança de encontrarem algum conforto, seguindo pela estrada do título.<span id="more-4821"></span></p>
<p>Naturalmente, no decorrer da narrativa, o Pai e o Menino cruzam caminhos com outros sobreviventes, embora em termos, via de regra, pouco amistosos. O colapso da sociedade impeliu os poucos sobreviventes a regressarem a um estado neolítico, vivendo em tribos e caçando em bandos -- geralmente, seres da própria espécie. O canibalismo, em virtude da escassez de comida, tornou-se uma necessidade.</p>
<p>Há exceções, evidentemente; duas deles sendo o  par de protagonistas: o menino, por estar sempre sob os cuidados do Pai, ainda retém certa inocência; e o dito cujo, que cultiva a humanidade que ainda lhe resta em prol do filho, perserverando contra todas as adversidades -- doença, fome, cansaço -- para resguardá-lo.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4833" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg" alt="theroadfirstphoto" width="500" height="335" /></a></p>
<p>É importante frisar que este romance não se trata de uma<em> aventura</em>, mas, sim, de uma <strong>jornada</strong>: a ênfase é no cotidiano dos personagens e todas as dificuldades atreladas a ela. McCarthy foi, neste ponto, extremamente minucioso, explorando todas os empecilhos e problemas que dois indivíduos nessa situação possivelmente teriam que lidar, como a busca por alimento, abrigo, roupas etc. Quase um manual de sobrevivência. Embora momentos mais frenéticos existam, eles são pontuais, dispersos ao longo da narrativa.</p>
<p>A linguagem concisa, seca e direta de McCarthy encontra, aqui, o seu par temático perfeito. As descrições das paisagens naturais -- cinzentas e mortas -- e do tecido urbano -- necrosado e pútrido -- incitam no leitor um desconforto perene, um senso gradativamente maior de opressão -- como se esses cenários estivessem se construíndo ao seu redor, propiciando acesso à própria aflição dos personagens.</p>
<p>O romance foi reconhecido como uma obra-prima contemporânea, a ponto de ser definido, pela crítica, como a Obra Definitiva na literatura pós-apocalíptica. Em 2007 venceu o <em>Pulitzer Prize for Fiction</em>. O livro também foi um dos finalistas do <em>National Book Awards </em>em 2006.</p>
<p>Uma adaptação cinematográfica, dirigida por John Hillcoat (do cult <em>A Proposta</em>) e estrelado por Viggo Mortensen (Pai) e pelo desconhecido Kodi Smit-McPhee (Menino), estreará em Novembro deste ano, e é vista como uma concorrente de peso para os óscares; no Brasil, apenas em 2010.</p>
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