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	<title>O Neuromancista &#187; vertigo</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>Os Leões de Bagdá</title>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 17:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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		<description><![CDATA[Comente este artigo no Fórum Omega Geek. Os Leões de Bagdá remete, a princípio, a O Rei Leão, famosa animação da Disney, por também ser protagonizado por leões com comportamentos homólogos ao do Homem, e por um dos seus personagens &#8211; o infante do grupo, Ali &#8211; ser claramente inspirado no jovem Simba. Essa impressão, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://omegageek.com.br/forum/showthread.php?t=3081">Comente este artigo no Fórum Omega Geek.</a></p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/cover.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4485" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/cover.jpg" alt="cover" width="375" height="495" /></a></p>
<p>Os Leões de Bagdá remete, a princípio, a <em>O Rei Leão</em>, famosa animação da Disney, por também ser protagonizado por leões com comportamentos homólogos ao do Homem, e por um dos seus personagens &#8211; o infante do grupo, Ali &#8211; ser claramente inspirado no jovem Simba. Essa impressão, todavia, logo se dissipa quando o leitor é posto a presenciar, em caráter de flashback, uma forte cena de estupro de uma de suas protagonistas, a hoje idosa Safa. Posteriomente, as cenas de violência gráfica e o semblante dos corroboram: este não é um livro para crianças.</p>
<p>Os Leões de Bagdá é uma fábula de forte tom político que narra o cotidiano do grupo de lões do título, que enfim alcançam a tão almejada liberdade quando o zoológico em que se encontram é bombardeado e destruído por caças americanos. A trama, então, muda de ambiente; do zoológico para a destroçada cidade de Bagdá, onde eles se virão forçados a superar muitos empecilhos e desafios se quiserem sobreviver, mostrando que a tão sonhada liberdade pode vir com um preço alto demais.<span id="more-4479"></span></p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/pride-stampede.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4486" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/pride-stampede.jpg" alt="pride-stampede" width="450" height="360" /></a></p>
<p>O bando de leões é composto por quatro indivíduos, cada um com personalidades muito bem delineadas e imbuídos de idelogias e crenças distintas, decorrentes dos diferentes contextos de que cada um veio: Safa, a anciã, nasceu e viveu na mata, da qual ela guarda amargas lembranças e, por isso mesmo, é a menos excitada com a ideia de regressar ao mundo selvagem; Noor, a &#8220;cabeça&#8221; do grupo, também nasceu nas selvas mas cresceu no Zoológico, portanto, uma visão idealista do que é viver lá fora, ansiando pelo dia em que poderá enfim caçar a sua comida ao invés de simplesmente ganhá dos tratadores; Zill é O leão do grupo, ele assume uma postura zen a maior parte do tempo, intervendo apenas quando absolutamente necessário; e Ali, o filhote de Noor com Zill, cuja ingenuidade, vitalidade e bom-espírito são postos à prova perante o cruel mundo que o espera fora das jaulas.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/leao.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4483" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/05/leao.jpg?w=196" alt="leao" width="196" height="300" /></a></p>
<p><strong>Brian K. Vaughan</strong> prova-se mais uma vez um roteirista talentosíssimo, demonstrando um tato formidável tanto para a construção dos personagens, que rapidamente cativam e ganham a nossa simpatia, quanto pelo storytelling, dotado de um subtexto político bem evidente, mas sutil o suficiente para permitir múltiplas interpretações dos muitos simbolismos que permeiam a obra.</p>
<p>Aliada à extraordinária escrita de Vaughan, encontra-se a inspirada arte de <strong>Niko Henrichon</strong>, nome desconhecido dos quadrinhos alternativos canadenses que, aqui, faz o seu debut nos quadrinhos asmericanos da melhor forma possível. Seu traço é levemente rabiscado, porém rico em detalhes, capaz de transmitr com exatidão as emoções dos personagens por meio de feições bastante expressivas. Impressiona, também, o fato de esta ser a sua <strong>segunda</strong> graphic novel, sinalizando que ele ainda tem bastante potencial de crescimento como artista.</p>
<p>No Brasil, o título foi lançado pela Panini, numa edição caprichadíssima direcionada às livrarias, por um preço formidavelmente baixo: R$19,90, publicada em formato 17 x 26 cm e em papel couché. 140 páginas.</p>
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		<title>Preacher</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 03:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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		<description><![CDATA[Dicuta este artigo no Fórum Omega Geek. O que se passa na mente de Garth Ennis? Essa é uma pergunta que sempre me faço quando me deparo com um novo trabalho do escritor. Após ler Punisher Max, The Boys (que, aliás, também tem um artigo no blog &#8211; aqui) e Preacher, chego à conclusão &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://omegageek.com.br/forum/showthread.php?p=95156#post95156">Dicuta este artigo no Fórum Omega Geek.</a></p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher_1_1280x1024.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3821" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher_1_1280x1024.jpg" alt="Preacher HC" width="450" height="360" /></a></p>
<p>O que se passa na mente de Garth Ennis? Essa é uma pergunta que sempre me faço quando me deparo com um novo trabalho do escritor. Após ler Punisher Max, The Boys (que, aliás, também tem um artigo no blog &#8211; <a href="http://battlenerds.wordpress.com/2009/01/09/the-boys/">aqui</a>) e Preacher, chego à conclusão &#8211; ou melhor, à <em>impressão</em> &#8211; que seu pai era um religioso fanático que o abusava vestido como o Super-Homem; talvez só assim para explicar o asco que o irlandês parece nutrir por determinados tópicos, como o mito dos super-heróis (desconstruído violentamente em The Boys) e o cristianismo (caso deste Preacher), adornados por um sagaz humor-negro e ironia.</p>
<p>Em Preacher, acompanhamos a jornada do reverendo Jesse Custer, sua namorada Tulipa O&#8217;Hare e seu amigo Cassidy em busca de Deus. Mas não se trata de uma jornada espiritual. Eles estão <em>literalmente</em> à caça do Todo Poderoso, que fugiu do Paraíso devido ao nascimento de Gênesis &#8211; um híbrido de anjo/demônio cujo poder rivaliza com o do próprio Criador &#8211; que reside dentro de Jesse.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/jesse-pa.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3827" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/jesse-pa.jpg?w=195" alt="jesse-pa" width="195" height="300" /></a></p>
<p>No primeiro arco de histórias, <strong>Gone to Texas</strong>, somos introduzidos aos personagens e às suas respectivas histórias: Jesse é um reverendo numa cidade interiorana que eventualmente explode devido à hipocrisia das pessoas, que usam a religião apenas como mera desculpa para tirar pesos da consciência; Tulipa surge em cena alvejando o que parecem ser executivos numa limusine, mas o atentado não ocorre como o esperado e ela logo se vê caçada pelos mesmos. Enquanto corre pela vida, depara-se com Cassidy na sua caminhonete, tenta roubar-lhe o veículo, mas ele não se sente intimidado; ao invés disso, ele lhe dá uma carona.</p>
<p>Concomitantemente a esses ventos mundanos, acompanhamos o desespero passado pelos Adephi &#8211; os anjos que sentam à esquerda do trono de Deus &#8211; perante a fuga de <strong>Gênesis</strong>, um híbrido resultante do cruzamento entre um Serafim (arcanjos que sentam à direita do trono de Deus) e um demônio. O ser, de tão poderoso, foi posto em isolamento e sob os cuidados dos Adephi. Posteriormente, ansiando por uma consciência plenamente desenvolvida com a qual mergir e, portanto, evoluir/amadurecer, consegue escapar, indo ao encontro do Reverendo Custer durante um dos seus sermões.<span id="more-3558"></span></p>
<p>Esse contato com Gênesis lhe proporcionou o poder d&#8217;A Palavra, ou seja, a capacidade de fazer com que todo e qualquer ser vivo &#8211; independente da sua natureza, seja mundana ou divina &#8211; obedeça aos seus comandos. A primeira vez que ele manifestou essa habilidade foi ao gritar a todo um esquadrão de policiais para simplesmente abaixarem suas armas, pedido esse prontamente atendido.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher-collage.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3828" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher-collage.jpg" alt="preacher-collage" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Em ordem de recuperar Gênesis o mais rápido possível, os Adelphi recorrem ao <strong>Santo dos Assassinos</strong>, um pistoleiro virtualmente indestrutível, de determinação inabalável e impiedosa, disposto a tomar quaisquer medidas que julgar necessárias para assegurar o sucesso da sua missão, por mais extremas que sejam. Mas nem ele resiste ao poder d&#8217;A Palavra.</p>
<p>Preacher é uma obra rica em violência gráfica, humor-negro e sexo &#8211; mas também de subtextos e ideias. Jesse Custer, por exemplo, encarna vários dos estereótipos comumente associados ao gênero <em>western</em>: bravura, cavalheirismo (com pitadas de machismo), rígidos códigos morais, valorização da amizade etc. Contudo, a referência mais óbvia a ser apontada é &#8220;O Duque&#8221; &#8211; um amigo imaginário, na vida real, o apelido do ator John Wayne, ícone do cinema ianque (notadamente em <em>westerns</em>) &#8211; que funciona como um <em>deus ex machina</em>, encorajando o herói sempre quando sua determinação e moral estão em baixa.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/cassidy.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3825" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/cassidy.jpg?w=195" alt="cassidy" width="195" height="300" /></a></p>
<p>Ao mesmo tempo que Ennis vangloreia o mito do cowboy do Velho-Oeste, ele desmistifica outro: o dos vampiros. Esqueça a elegância do Drácula de Bella Lugosi e os vampiros reflexivos de Anne Rice. No mundo de Preacher, vampiros não têm ojeriza a alho, não são vulneráveis à água benta, não são indiferentes para com comidas e bebidas, não precisam dormir em caixões e não têm relação alguma com morcegos. E também não têm presas. Mas bebem sangue e são sensíveis à luz solar.</p>
<p>Não irei me alongar falando dos demais personagens, visto que a HQ conta com uma galeria formidável de coadjuvantes e escrever sobre cada um deles tornaria este artigo exessivamente longo. Entretanto, faço questão de mencionara mais um: o personagem vulgarmente conhecido como <strong>Cara-de-Cu</strong>. Adolescente, filho de um xerife racista e violento, encontrou refúgio na música do Nirvana e no movimento <em>grunge</em>. Ao saber da morte do seu ídolo, Kurt Cobain, ele tenta trilhar o mesmo caminho, alvejando a si mesmo com um rifle roubado do seu pai. Todavia, ele sobrevive, desfigurado. A sua mãe, não mais suportando o inferno que é o seu núcleo familiar, parte, e seu pai, em completo desgosto pelo que o filho se &#8220;tornou&#8221;, aje com uma indiferença brutal, como se ele não estivesse ali.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/arseface.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3823" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/arseface.jpg?w=173" alt="arseface" width="173" height="300" /></a></p>
<p>Claro; uma história triste, não é? Pode até ser, mas você dificilmente não se encontrará perigando sufocar por tanto rir graças à escrita afiada de Ennis, capaz de transformar um núcleo com tanto potencial dramático no maior alívio cômico da história. É o humor-negro do irlandês brilhando como o Sol. O Cara-de-Cu (apelido este dado por Cassidy quando o vê pela primeira vez) é uma figura genuinamente tragicômica; é digno de pena, fonte de risos e uma das figuras mais carismáticas e marcantes da HQ.</p>
<p>Preacher foi publicado através do selo Vertigo ao longo de cinco anos, entre 1995 e 2000, em <strong>66</strong> edições mais cinco especiais, além de uma mini de quatro edições protagonizada pelo <strong>Santo dos Assassinos</strong>. Ao lado de Sandman e d&#8217;O Monstro do Pântano, foi responsável por estabelecer e solidicar a linha Vertigo, sendo até hoje o ícone da liberdade criativa sem precedentes que o selo oferece.</p>
<p>No Brasil, o título vem migrando de editora a editora há mais de uma década, as quais partilham em comum o fato de sempre falirem antes de completarem a sua publicação. Atualmente está em mãos da Pixel, cujo último volume de histórias publicado foi <em>Guerra ao Sol</em> (<em>War in the Sun</em>, sexto dos oito). A editora comunicou por volta de Dezembro que passaria por &#8220;reformulações internas&#8221;, e desde então não anunciou qualquer lançamento. Infelizmente, ou apela-se a scans, ou a compras no estrangeiro, para se ler esta extraordinária obra.</p>
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