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	<title>O Neuromancista &#187; philip roth</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>O Complexo de Portnoy (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 11:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[homem comum]]></category>
		<category><![CDATA[indignação]]></category>
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		<description><![CDATA[O Complexo de Portnoy foi a minha terceira incursão na bibliografia de Roth, a primeira num dos seus romances celebrados (tanto Indignação quanto Homem Comum são títulos menores, coadjuvantes na sua bibliografia), e, sem dúvida, a melhor. Neste romance &#8211; que lançou o autor à fama literária &#8211; o leitor assume a perspectiva do interlocutor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong> <a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/PORTNOY.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4908" title="PORTNOY" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/PORTNOY.jpg" alt="" width="316" height="484" /></a> O Complexo de Portnoy</strong></em> foi a minha terceira incursão na bibliografia de Roth, a primeira num dos seus romances celebrados (tanto<em><strong> Indignação</strong></em> quanto <em><strong><a href="../2009/11/28/homem-comum-philip-roth/" target="_blank">Homem Comum</a></strong></em> são títulos menores, coadjuvantes na sua bibliografia), e, sem dúvida, a melhor. Neste romance &#8211; que lançou o autor à fama literária &#8211; o leitor  assume a perspectiva do interlocutor, o psiquiatra de Alexander Portnoy, que, no divã, descreve os momentos mais marcantes da sua vida, transitando  entre situações de sua infância, adolescência e vida adulta, expondo  seus traumas e descortinando as causas de suas neuroses.</p>
<p>Mas, você deve estar se perguntando, quem é Alexander Portnoy?</p>
<p>Alexander Portnoy foi um estudante exemplar, de inteligência ímpar e obediência familiar invejável, que se tornou um cidadão honorável, um intelectual bem versado e um político que luta por causas nobres, embuído de renome e status. No entanto, a despeito de tudo isso, ele leva uma vida miserável, refém de emoções como culpa, aflição e frustração. A razão de ser disso é revelada ao leitor antes da própria introdução ao personagem:<span id="more-4893"></span></p>
<blockquote><p>Complexo de Portnoy (pórt-noi) <em>subs.</em> [de Alexander Portnoy (1933- )] Quadro mórbido caracterizado por fortes im­­pulsos éticos e  altruísticos em constante conflito com anseios sexuais extremos, muitas  vezes de natureza pervertida [...] Atos de exibicionismo, voyeurismo, feitichismo, auto-erotismo e coito oral são abundantes; em consequência da &#8216;moralidade&#8217; do paciente, porém, nem as fantasias nem o ato geram gratificação sexual genuína, mas sim sentimentos avassaladores de vergonha e temor de punição, em particular sob a forma de castração.</p></blockquote>
<p>Portnoy é alguém que desde pequeno carrega o fardo de ser o depositório de todas as expectativas da família, que nele veem a possibilidade de concretização do sucesso e prosperidade que falharam em experimentar, oprimido, de um lado, por uma mãe judaica ao mesmo tempo afável e tenebrosa (um incidente em particular, no qual ela o ameaça <em>com uma faca</em>, é mencionado sucessivas vezes), do outro, por uma cultura que o aliena do mundo em que reside, restringindo-o e sufocando (convergindo numa anedota de incrível humor-negro, envolvendo um suicida e sua carta de despedida).</p>
<p>A despeito de tudo isso, Roth não retrata Portnoy como um mero pobre coitado, imputando-o de nuances &#8211; tanto positivas quanto negativas &#8211; que o humanizam. Embora admitidamente despreze a sua cultura, ele não consegue deixar de se  achar<em> superior<em> </em></em>por conta dela, o que se manifesta em particular nos seus relacionamentos (vide comentário abaixo):</p>
<blockquote><p><em>Not to  mention &#8220;dear&#8221; as it the salutation of a letter: d-e-r-e. Or d-e-i-r.  And that very first time (this I love) d-i-r. On the evening we are  scheduled for dinner at Gracie Mansion&#8211;D!I!R! I mean, I just have to  ask myself&#8211;what am I doing having an affair with a woman nearly thirty  years of age who thinks you spell &#8220;dear&#8221; with three letters! </em></p></blockquote>
<p>Seu comportamento também é ora sexista, ora insensível, ora violento (ele tenta <strong>estuprar</strong> uma moça em dado momento). A narrativa culmina numa viagem à Israel, em que todas suas contradições e hipocrisia são expostas à escaldante luz do Sol por uma jovem e engajada militante judia, que o vê de forma clara e lúcida, além de seu humor auto-depreciativo e pretensa intelectualidade.</p>
<blockquote><p><em>Bullshit!  Commisioner of Cunt, that&#8217;s who you are! Commissioner of Human  Opportunists! Oh, you jerk-off artist! You case of arrested  development!&#8230; what&#8217;s good, you accomplished all on your own! You  ignoramus! You icebox heart! Why are you chained to a toilet? I&#8217;ll tell  you why: poetic justice! So you can pull your peter till the end of  time! Jerk your precious little dum-dum ad infinitum! Go ahead, pull  off, Commissioner, that&#8217;s all you ever really gave your heart to  anyway&#8211;you stinking putz!</em></p></blockquote>
<p>Todavia, a despeito de todos os seus defeitos, é impossível não simpatizar com o personagem &#8211; em parte graças à engenhosa construção da narrativa, composta por momentos mnemônicos não-lineares que gradativamente formam um todo coeso, em parte graças à fabulosa prosa de Roth, cômica e vibrante, que nos persuade a tentar compreendê-lo e aturá-lo &#8211; no processo nos fazendo perceber que muitos dos complexos de Portnoy também são nossos. Que jogue a primeira pedra quem nunca se sentiu fora de sintonia com os valores da família, ou pressionado pelos pais, ou frustrado com sua vida amorosa.</p>
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		<title>Homem Comum (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 02:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[national book awards]]></category>
		<category><![CDATA[philip roth]]></category>
		<category><![CDATA[pulitzer]]></category>
		<category><![CDATA[romance]]></category>

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		<description><![CDATA[Philip Milton Roth é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (A Estrada) e Thomas Pynchon, ganhador de dois National Book Awards (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois National Book Critics Circle Awards e um Pulitzer &#8211; fora incontáveis outros prêmios. Entre diversos trabalhos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4855" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg" alt="homem-comum" width="300" height="461" /></a> Philip Milton Roth</strong> é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (<a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/2009/11/08/a-estrada/" target="_blank">A Estrada</a>) e Thomas Pynchon, ganhador de dois <em>National Book Awards</em> (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois <em>National Book Critics Circle Awards</em> e um <em>Pulitzer</em> &#8211; fora incontáveis outros prêmios.</p>
<p>Entre diversos trabalhos do autor vistos como obras-primas, meu primeiro contato com a ficção de Roth se deu por meio de um dos seus romances &#8220;menores&#8221;, de publicação recente: Homem Comum (ou <em>Everyman</em>, no original), alusão a um poema medieval datado do século quinze, de autoria desconhecida.</p>
<p>O romance se inicia de maneira intrigante, partindo pelo <em>fim</em> da narrativa: o enterro do protagonista (cujo nome nunca ficamos a par), acompanhado pelo discurso de uma gama de personagens que o leitor virá a se familiarizar com o passar do tempo, cada  um dotado de sua própria visão do falecido: seja de incompreensão (seu irmão, Howie), de estima (sua filha, Nancy), de amor (sua segunda ex-esposa, Phoebe) ou de raiva (seus dois filhos do primeiro casamento).</p>
<p>A narrativa, então, retrocede no tempo para a infância do sujeito e segue, a partir dai, mais ou menos linearmente. Assistimos ao apogeu profissional e emocional do personagem e a seu subsequente declínio, numa narrativa que nunca falha em remeter ao seu tema principal: a Morte, e como nós a encaramos e nos relacionamos com ela, sintetizado pelo Homem Comum, cujas virtudes, defeitos, vícios e ideais encontram ressonância em cada um de nós em menor ou maior grau.<span id="more-4851"></span></p>
<p>O primeiro contato que Ele tem com a Morte é na sua tenra infância, quando um cadáver aparece na praia que ele e a família costumavam frequenter; eles se reencontram pouco tempo depois, na forma de um companheiro hospitalar, um garoto tal como ele, cuja existência se mostrou breve demais.</p>
<blockquote><p>De início, não adormeceu porque ficou esperando que o outro menino morresse, e depois porque não conseguia parar de pensar no corpo do afogado que o mar tinha largado na praia no último verão.</p></blockquote>
<p>Anos depois, no auge da sua vida adulta &#8211; publicitário bem-sucedido, garanhão e saudável &#8211; esse tipo de pensamento ainda o atormenta.  A mortalidade se tornou um estigma que ele passou a carregar, onipresente, pairando sobre todos os aspectos da sua vida.  <em>Por que se imaginava próximo da extinção quando um raciocínio tranquilo e objetivo lhe dizia que ainda tinha muita vida sólida pela frente?</em>, indaga Roth. Ironicamente, é a partir desse ponto que a sua saúde se deteriora a passos largos, exigindo intervenções médicas recorrentes.</p>
<p>Quando o Sujeito chega à reta final da sua vida &#8211; e o livro, por tabela, ao seu fim &#8211; ele se vê solitário, combalido e isolado da sua família, jazendo amargamente num retiro para velhos, tendo como único passatempo a pintura, atividade essa que não tarda a perder seu encanto.</p>
<p>Suas tentativas em remediar essa situação são inexoravelmente frustadas: as moças com quem ele flerta não lhe dão atenção, seus poucos amigos estão ou mortos, ou em vias para tanto, e ele não é bem-recebido em nenhuma das duas famílias que ele ajudou a construir, exceptuando-se pela sua filha mais nova, que nutre por ele um carinho admitidamente injustificado.</p>
<blockquote><p>Havia cortado suas raízes justamente no momento em que a idade exigia que ele estivesse tão arraigado quanto no tempo em que dirigia o departamento de criação da agência publicitária. Ele sempre se sentira revigorado pela estabilidade, nunca pela imobilidade. E sua vida atual era pura estagnação. Agora lhe faltavam todas as formas de alívio, vivia uma esterilidade disfarçada de consolo, e  não era possível voltar atrás.</p></blockquote>
<p>Trata-se, em suma, de um romance bastante sombrio que registra os piores aspectos do envelhecimento &#8211; a fragilidade,  o isolamento, a impotência &#8211; na figura de um indivíduo cuja vida foi marcada pelo temor do produto final da soma desses fatores e que vem a constatar, muito para a sua infelicidade, que simplesmente seguiu a estrada errada na vida.</p>
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