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	<title>O Neuromancista &#187; nebula awards</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>Count Zero</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 02:21:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/04/855020-7474-it2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4334" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/04/855020-7474-it2.jpg" alt="Aleph Cover" width="286" height="320" /></a></p>
<p>Em meados dos anos oitenta, <strong>William Gibson</strong>, ao lado de autores como Neal Stephenson e Bruce Sterling,  revolucionou o gênero da ficção-científica literária com <em>Neuromancer</em> (que já foi comentado por mim <a href="http://battlenerds.wordpress.com/2009/02/18/neuromancer/">aqui</a>), livro que lhe rendeu uma série de prêmios e que, em 2006, foi incluído na lista <em>Os Cem Melhores Romances da Lingua Inglesa</em>, da revista Time, devido a sua inegável importância histórica.</p>
<p><em><strong>Count Zero</strong></em>, publicado dois anos depois, situa-se oito anos após os eventos transcorridos em <em>Neuromancer</em>, e é protagonizado por uma nova gama de personagens. A obra expande o universo tecno-anárquico criado por Gibson, aprofundando-se em temas que no livro anterior foram apenas mencionados, como o poder ilimitado das corporações e suas ramificações na dinâmica social, além de dar prosseguimento a certos pontos soltos, como o destino de Wintermute e de que maneira a sua existência afeta o cyberspaço.</p>
<p><span id="more-4330"></span></p>
<p>Além disso, Gibson também refinou a sua escrita, tornando-a mais lacônica e a extripando do pedantismo descritivo que tanto prejudicou o ritmo da sua novela anterior. Agora, os relatos são feitos com um propósito narrativo claro, sem se alongarem demais e com menos abstrações, conferindo um dinamismo bem maior à leitura.</p>
<div id="attachment_4341" class="wp-caption alignright" style="width: 211px"><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/04/gibson_william_4001.jpg"><img class="size-medium wp-image-4341" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/04/gibson_william_4001.jpg?w=201" alt="William Gibson" width="201" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">William Gibson</p></div>
<p>Inclusive, é na construção do enredo que Gibson demonstra o amadurecimento mais evidente. Esqueça o desenvolvimento linear de <em>Neuromancer</em>. O <em>storytelling</em> estabelecido aqui marca presença em todos os romances subsequentes do autor, tornando-se uma espécie de assinatura. A trama é fragmentada em núcleos distintos, que se alternam, convergindo apenas no final, mas que se interligam desde o começo, ainda que tal conexão não fique clara ao leitor até os últimos capítulos.</p>
<p><strong>Turner</strong> é um mercenário, um sabujo das megacorporações, especializado em realizar transações ilegais de alta periculosidade, muitas vezes envolvendo intrigas corporativas, como a deserção de funcionários de uma empresa a outra, roubo de tecnologia ou obtenção de informação classificada. Sua lealdade é temporária, variando de serviço a serviço.</p>
<p><strong>Bobby Newmark</strong> &#8211; a.k.a Count Zero &#8211; é um &#8220;wilson&#8221; (equivalente ao <em>n00b</em> de hoje em dia), um aspirante a cowboy cujo maior sonho é sair da sua pacata cidadezinha e fazer seu nome no Sprawl. A ele é concedido um novo e experimental pedaço de software, que ele ingenuinamente supõe se tratar de um ICE-Breaker. Após uma incursão desastrosa na Matrix, ele é quase morto pela ação de um Black ICE, se não fosse por uma misteriosa ajuda vinda da net.</p>
<p><strong>Marley Krushkhova</strong> é uma profissional falida e arruinada do ramo das Artes cuja vida muda do dia pra noite ao ser contratada pelo magnata e todo-poderoso Herr Virek para localizar o criador de uma série de peças de Arte modernas, caixas que, nas palavras do autor, evocam &#8220;distâncias impossíveis, de perdas e anseios [..] lúgubre, suave e, de alguma forma, infantil&#8221; e que compunham &#8220;um universo, um poema  congelado nas fronteiras da experiência humana&#8221;.</p>
<p><em><strong>Count Zero</strong></em> foi indicado tanto ao Nebula Awards quanto ao Hugo Awards na categoria de Melhor Novela de Ficção, as premiações de maior renome do meio F.C. É possível ler o primeiro capítulo &#8211; em inglês &#8211; <a href="http://www.williamgibsonbooks.com/books/zero.asp#excerpt">aqui</a>.</p>
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		<title>Neuromancer</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 17:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Discuta este post no Fórum Omega Geek. &#8220;O céu sobre o porto tinha a cor de uma televisão sintonizada num canal fora do ar.&#8221; Neuromancer trata-se, simultaneamente, do debut literário e do magnum opus de seu autor, William Gibson. Escrito em 1981, o livro, no contexto da época, foi considerado revolucionário, visto que ele rompeu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://omegageek.com.br/forum/showthread.php?t=2440">Discuta este post no Fórum Omega Geek.</a></p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/neuromance_brazilian_cover.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3462" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/neuromance_brazilian_cover.jpg" alt="neuromance_brazilian_cover" width="235" height="350" /></a></p>
<p><em>&#8220;O céu sobre o porto tinha a cor de uma televisão sintonizada num canal fora do ar.&#8221;</em></p>
<p>Neuromancer trata-se, simultaneamente, do debut literário e do <em>magnum opus</em> de seu autor, William Gibson. Escrito em 1981, o livro, no contexto da época, foi considerado revolucionário, visto que ele rompeu radicalmente com todas as convenções até então estabelecidas da ficção-científica.</p>
<p>A sua importância foi imediatamente reconhecida, com a obra sendo laureada em diversas premiações como o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nebula_Award">Nebula Awards</a>, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hugo_Award">Hugo Awards</a> e <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Philip_K._Dick_Award">Philip K. Dick Awards</a>, além de ter sido inclusa na lista dos cem melhores romances em língua inglesa da revista <em>Time</em>. Ela também foi considerada instrumental para o estabelecimento do movimento literário que veio a ser cunhado de <em>cyberpunk</em>.</p>
<div id="attachment_3465" class="wp-caption alignleft" style="width: 239px"><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/459px-neuromancer_tgn.jpg"><img class="size-medium wp-image-3465" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/459px-neuromancer_tgn.jpg?w=229" alt="Neuromancer em quadrinhos" width="229" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Neuromancer em quadrinhos</p></div>
<p>O romance é situado num futuro próximo e retrata uma Humanidade sombria: a sociedade está em total decadência, o Bem-Estar Social entrou em colapso e as formas convencionais de governo foram substituídas pelo poder dos conglomerados, indústrias e megacorporações. A bioengenharia é uma realidade, com implantes cibernéticos acessíveis a todos, permitindo aos seus usuários excederem os limites do próprio corpo (e, em certos casos, em torná-los genuínas máquinas de matar).<span id="more-3453"></span></p>
<p>É nesse contexto no qual somos apresentados ao protagonista da história: o anti-herói Case. Um cowboy da rede (no livro, como os <em>hackers</em> são chamados) que se viu forçado a se aposentar prematuramente, uma vez que seus implantes neurais &#8211; os mesmos que dão acesso às pessoas ao cyberspaço &#8211; foram fritados após uma tentativa (bem-sucedida) de passar a perna nos seus empregadores. Exilado da Matrix e, portanto, confinado à &#8220;carne&#8221; que tanto despreza, Case entra numa espiral de auto-destruição, assumindo bicos insanos e se afundando em drogas&#8230;</p>
<p>&#8230; isso é, até cruzar caminhos, nas ruas imundas de <em>Chiba City</em>, com <strong>Molly</strong>, assassina profissional (e samurai nas ruas vagas), que o procurou a fim não de matá-lo, mas de recrutá-lo para a organização da qual ela faz parte, comandada por um estranho e indiferente homem chamado Armitage.</p>
<p>Armitage, em troca dos seus serviços, oferece a Case a restaução completa de seus implantes neurais, permitindo-lhe, assim, reacessar a Matrix, algo que Case acreditava não ser mais possível, haja vista que ele passoarapor todas as clínicas &#8211; legais e ilegais &#8211; de implantes e a resposta fora sempre a mesma: estavam danificados demais para ser reparados. Mas Armitage tinha acesso a uma tecnologia de vanguarda.</p>
<div id="attachment_3466" class="wp-caption alignright" style="width: 302px"><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/585px-neuromancer1988.jpg"><img class="size-medium wp-image-3466" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/585px-neuromancer1988.jpg?w=292" alt="Neuromancer, o jogo de videogame" width="292" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Neuromancer, o jogo de videogame</p></div>
<p>Ao longo das 300 e poucas páginas de Neuromancer, acompanhamos Case e Molly realizarem uma série de operações sob o mando de Armitage &#8211; ao mesmo tempo que se tornam mais íntimos &#8211; e especularem <strong>quem</strong> ele é, o <strong>que</strong> ele quer e  &#8211; quiçá o mais importante &#8211; <strong>quem</strong> o financia.</p>
<p>A escrita de Gibson é densa e rica em detalhes, esbanjando todo o entusiasmo e fascínio do autor com o próprio mundo que criou. Os ambientes, personagens, situações e tecnologias que criadas por ele são descritas aos seus mínimos detalhes &#8211; aparência, cheiro, textura, formato. Exceto a Matrix. Quando se trata do cyberspaço, ele recorre a abstrações; descrições que se valem das sensações provocadas para serem compreendidas. Para Gibson, essa é uma experiência íntima demais para ser generalizada, embora seja compartilhada por milhões (bilhões?) em todo o mundo.</p>
<p>As duas novelas seguintes do autor &#8211; <strong>Count Zero</strong> e <strong>Mona Lisa Overdrive</strong> &#8211; são continuações situadas no mesmo universo e com personagens em comum, embora possam, sim, serem lidas individualmente, uma vez que nelas são desenvolvidas tramas próprias, independentes. Ao conjunto dos livros, é dado o nome de &#8220;Trilogia Sprawl&#8221;.</p>
<p>No Brasil, a obra foi publicada uma série de vezes desde os anos 90, com a impressão mais recente pertencendo à <a href="http://www.alephnet.com.br/">Aleph</a>, que também publicou os livros posteriores do autor assim como diversos outros clássicos da literatura sci-fi, tal como <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Snow_crash">Nevasca</a>, de Neal Stephenson</p>
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