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	<title>O Neuromancista &#187; national book awards</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>Homem Comum (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 02:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Philip Milton Roth é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (A Estrada) e Thomas Pynchon, ganhador de dois National Book Awards (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois National Book Critics Circle Awards e um Pulitzer &#8211; fora incontáveis outros prêmios. Entre diversos trabalhos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4855" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg" alt="homem-comum" width="300" height="461" /></a> Philip Milton Roth</strong> é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (<a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/2009/11/08/a-estrada/" target="_blank">A Estrada</a>) e Thomas Pynchon, ganhador de dois <em>National Book Awards</em> (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois <em>National Book Critics Circle Awards</em> e um <em>Pulitzer</em> &#8211; fora incontáveis outros prêmios.</p>
<p>Entre diversos trabalhos do autor vistos como obras-primas, meu primeiro contato com a ficção de Roth se deu por meio de um dos seus romances &#8220;menores&#8221;, de publicação recente: Homem Comum (ou <em>Everyman</em>, no original), alusão a um poema medieval datado do século quinze, de autoria desconhecida.</p>
<p>O romance se inicia de maneira intrigante, partindo pelo <em>fim</em> da narrativa: o enterro do protagonista (cujo nome nunca ficamos a par), acompanhado pelo discurso de uma gama de personagens que o leitor virá a se familiarizar com o passar do tempo, cada  um dotado de sua própria visão do falecido: seja de incompreensão (seu irmão, Howie), de estima (sua filha, Nancy), de amor (sua segunda ex-esposa, Phoebe) ou de raiva (seus dois filhos do primeiro casamento).</p>
<p>A narrativa, então, retrocede no tempo para a infância do sujeito e segue, a partir dai, mais ou menos linearmente. Assistimos ao apogeu profissional e emocional do personagem e a seu subsequente declínio, numa narrativa que nunca falha em remeter ao seu tema principal: a Morte, e como nós a encaramos e nos relacionamos com ela, sintetizado pelo Homem Comum, cujas virtudes, defeitos, vícios e ideais encontram ressonância em cada um de nós em menor ou maior grau.<span id="more-4851"></span></p>
<p>O primeiro contato que Ele tem com a Morte é na sua tenra infância, quando um cadáver aparece na praia que ele e a família costumavam frequenter; eles se reencontram pouco tempo depois, na forma de um companheiro hospitalar, um garoto tal como ele, cuja existência se mostrou breve demais.</p>
<blockquote><p>De início, não adormeceu porque ficou esperando que o outro menino morresse, e depois porque não conseguia parar de pensar no corpo do afogado que o mar tinha largado na praia no último verão.</p></blockquote>
<p>Anos depois, no auge da sua vida adulta &#8211; publicitário bem-sucedido, garanhão e saudável &#8211; esse tipo de pensamento ainda o atormenta.  A mortalidade se tornou um estigma que ele passou a carregar, onipresente, pairando sobre todos os aspectos da sua vida.  <em>Por que se imaginava próximo da extinção quando um raciocínio tranquilo e objetivo lhe dizia que ainda tinha muita vida sólida pela frente?</em>, indaga Roth. Ironicamente, é a partir desse ponto que a sua saúde se deteriora a passos largos, exigindo intervenções médicas recorrentes.</p>
<p>Quando o Sujeito chega à reta final da sua vida &#8211; e o livro, por tabela, ao seu fim &#8211; ele se vê solitário, combalido e isolado da sua família, jazendo amargamente num retiro para velhos, tendo como único passatempo a pintura, atividade essa que não tarda a perder seu encanto.</p>
<p>Suas tentativas em remediar essa situação são inexoravelmente frustadas: as moças com quem ele flerta não lhe dão atenção, seus poucos amigos estão ou mortos, ou em vias para tanto, e ele não é bem-recebido em nenhuma das duas famílias que ele ajudou a construir, exceptuando-se pela sua filha mais nova, que nutre por ele um carinho admitidamente injustificado.</p>
<blockquote><p>Havia cortado suas raízes justamente no momento em que a idade exigia que ele estivesse tão arraigado quanto no tempo em que dirigia o departamento de criação da agência publicitária. Ele sempre se sentira revigorado pela estabilidade, nunca pela imobilidade. E sua vida atual era pura estagnação. Agora lhe faltavam todas as formas de alívio, vivia uma esterilidade disfarçada de consolo, e  não era possível voltar atrás.</p></blockquote>
<p>Trata-se, em suma, de um romance bastante sombrio que registra os piores aspectos do envelhecimento &#8211; a fragilidade,  o isolamento, a impotência &#8211; na figura de um indivíduo cuja vida foi marcada pelo temor do produto final da soma desses fatores e que vem a constatar, muito para a sua infelicidade, que simplesmente seguiu a estrada errada na vida.</p>
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