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	<title>O Neuromancista &#187; DC</title>
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		<title>Preacher</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 03:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dicuta este artigo no Fórum Omega Geek. O que se passa na mente de Garth Ennis? Essa é uma pergunta que sempre me faço quando me deparo com um novo trabalho do escritor. Após ler Punisher Max, The Boys (que, aliás, também tem um artigo no blog &#8211; aqui) e Preacher, chego à conclusão &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://omegageek.com.br/forum/showthread.php?p=95156#post95156">Dicuta este artigo no Fórum Omega Geek.</a></p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher_1_1280x1024.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3821" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher_1_1280x1024.jpg" alt="Preacher HC" width="450" height="360" /></a></p>
<p>O que se passa na mente de Garth Ennis? Essa é uma pergunta que sempre me faço quando me deparo com um novo trabalho do escritor. Após ler Punisher Max, The Boys (que, aliás, também tem um artigo no blog &#8211; <a href="http://battlenerds.wordpress.com/2009/01/09/the-boys/">aqui</a>) e Preacher, chego à conclusão &#8211; ou melhor, à <em>impressão</em> &#8211; que seu pai era um religioso fanático que o abusava vestido como o Super-Homem; talvez só assim para explicar o asco que o irlandês parece nutrir por determinados tópicos, como o mito dos super-heróis (desconstruído violentamente em The Boys) e o cristianismo (caso deste Preacher), adornados por um sagaz humor-negro e ironia.</p>
<p>Em Preacher, acompanhamos a jornada do reverendo Jesse Custer, sua namorada Tulipa O&#8217;Hare e seu amigo Cassidy em busca de Deus. Mas não se trata de uma jornada espiritual. Eles estão <em>literalmente</em> à caça do Todo Poderoso, que fugiu do Paraíso devido ao nascimento de Gênesis &#8211; um híbrido de anjo/demônio cujo poder rivaliza com o do próprio Criador &#8211; que reside dentro de Jesse.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/jesse-pa.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3827" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/jesse-pa.jpg?w=195" alt="jesse-pa" width="195" height="300" /></a></p>
<p>No primeiro arco de histórias, <strong>Gone to Texas</strong>, somos introduzidos aos personagens e às suas respectivas histórias: Jesse é um reverendo numa cidade interiorana que eventualmente explode devido à hipocrisia das pessoas, que usam a religião apenas como mera desculpa para tirar pesos da consciência; Tulipa surge em cena alvejando o que parecem ser executivos numa limusine, mas o atentado não ocorre como o esperado e ela logo se vê caçada pelos mesmos. Enquanto corre pela vida, depara-se com Cassidy na sua caminhonete, tenta roubar-lhe o veículo, mas ele não se sente intimidado; ao invés disso, ele lhe dá uma carona.</p>
<p>Concomitantemente a esses ventos mundanos, acompanhamos o desespero passado pelos Adephi &#8211; os anjos que sentam à esquerda do trono de Deus &#8211; perante a fuga de <strong>Gênesis</strong>, um híbrido resultante do cruzamento entre um Serafim (arcanjos que sentam à direita do trono de Deus) e um demônio. O ser, de tão poderoso, foi posto em isolamento e sob os cuidados dos Adephi. Posteriormente, ansiando por uma consciência plenamente desenvolvida com a qual mergir e, portanto, evoluir/amadurecer, consegue escapar, indo ao encontro do Reverendo Custer durante um dos seus sermões.<span id="more-3558"></span></p>
<p>Esse contato com Gênesis lhe proporcionou o poder d&#8217;A Palavra, ou seja, a capacidade de fazer com que todo e qualquer ser vivo &#8211; independente da sua natureza, seja mundana ou divina &#8211; obedeça aos seus comandos. A primeira vez que ele manifestou essa habilidade foi ao gritar a todo um esquadrão de policiais para simplesmente abaixarem suas armas, pedido esse prontamente atendido.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher-collage.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3828" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/preacher-collage.jpg" alt="preacher-collage" width="450" height="337" /></a></p>
<p>Em ordem de recuperar Gênesis o mais rápido possível, os Adelphi recorrem ao <strong>Santo dos Assassinos</strong>, um pistoleiro virtualmente indestrutível, de determinação inabalável e impiedosa, disposto a tomar quaisquer medidas que julgar necessárias para assegurar o sucesso da sua missão, por mais extremas que sejam. Mas nem ele resiste ao poder d&#8217;A Palavra.</p>
<p>Preacher é uma obra rica em violência gráfica, humor-negro e sexo &#8211; mas também de subtextos e ideias. Jesse Custer, por exemplo, encarna vários dos estereótipos comumente associados ao gênero <em>western</em>: bravura, cavalheirismo (com pitadas de machismo), rígidos códigos morais, valorização da amizade etc. Contudo, a referência mais óbvia a ser apontada é &#8220;O Duque&#8221; &#8211; um amigo imaginário, na vida real, o apelido do ator John Wayne, ícone do cinema ianque (notadamente em <em>westerns</em>) &#8211; que funciona como um <em>deus ex machina</em>, encorajando o herói sempre quando sua determinação e moral estão em baixa.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/cassidy.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3825" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/cassidy.jpg?w=195" alt="cassidy" width="195" height="300" /></a></p>
<p>Ao mesmo tempo que Ennis vangloreia o mito do cowboy do Velho-Oeste, ele desmistifica outro: o dos vampiros. Esqueça a elegância do Drácula de Bella Lugosi e os vampiros reflexivos de Anne Rice. No mundo de Preacher, vampiros não têm ojeriza a alho, não são vulneráveis à água benta, não são indiferentes para com comidas e bebidas, não precisam dormir em caixões e não têm relação alguma com morcegos. E também não têm presas. Mas bebem sangue e são sensíveis à luz solar.</p>
<p>Não irei me alongar falando dos demais personagens, visto que a HQ conta com uma galeria formidável de coadjuvantes e escrever sobre cada um deles tornaria este artigo exessivamente longo. Entretanto, faço questão de mencionara mais um: o personagem vulgarmente conhecido como <strong>Cara-de-Cu</strong>. Adolescente, filho de um xerife racista e violento, encontrou refúgio na música do Nirvana e no movimento <em>grunge</em>. Ao saber da morte do seu ídolo, Kurt Cobain, ele tenta trilhar o mesmo caminho, alvejando a si mesmo com um rifle roubado do seu pai. Todavia, ele sobrevive, desfigurado. A sua mãe, não mais suportando o inferno que é o seu núcleo familiar, parte, e seu pai, em completo desgosto pelo que o filho se &#8220;tornou&#8221;, aje com uma indiferença brutal, como se ele não estivesse ali.</p>
<p><a href="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/arseface.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3823" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/02/arseface.jpg?w=173" alt="arseface" width="173" height="300" /></a></p>
<p>Claro; uma história triste, não é? Pode até ser, mas você dificilmente não se encontrará perigando sufocar por tanto rir graças à escrita afiada de Ennis, capaz de transformar um núcleo com tanto potencial dramático no maior alívio cômico da história. É o humor-negro do irlandês brilhando como o Sol. O Cara-de-Cu (apelido este dado por Cassidy quando o vê pela primeira vez) é uma figura genuinamente tragicômica; é digno de pena, fonte de risos e uma das figuras mais carismáticas e marcantes da HQ.</p>
<p>Preacher foi publicado através do selo Vertigo ao longo de cinco anos, entre 1995 e 2000, em <strong>66</strong> edições mais cinco especiais, além de uma mini de quatro edições protagonizada pelo <strong>Santo dos Assassinos</strong>. Ao lado de Sandman e d&#8217;O Monstro do Pântano, foi responsável por estabelecer e solidicar a linha Vertigo, sendo até hoje o ícone da liberdade criativa sem precedentes que o selo oferece.</p>
<p>No Brasil, o título vem migrando de editora a editora há mais de uma década, as quais partilham em comum o fato de sempre falirem antes de completarem a sua publicação. Atualmente está em mãos da Pixel, cujo último volume de histórias publicado foi <em>Guerra ao Sol</em> (<em>War in the Sun</em>, sexto dos oito). A editora comunicou por volta de Dezembro que passaria por &#8220;reformulações internas&#8221;, e desde então não anunciou qualquer lançamento. Infelizmente, ou apela-se a scans, ou a compras no estrangeiro, para se ler esta extraordinária obra.</p>
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		<title>The Boys</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 21:59:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Comente este post no Fórum Omega Geek. Super-heróis. Defensores dos fracos e oprimidos. Salvaguardas da Justiça. Projeções do melhor que a Humanidade tem a oferecer. Honrados e justos. É assim como a maioria das pessoas enxergam os super-heróis. Mas não Garth Ennis. Ele repudia o conceito de super-heróis e expõe seu asco por eles sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://omegageek.com.br/forum/showthread.php?p=73587#post73587">Comente este post no Fórum Omega Geek.</a></p>
<p>Super-heróis. Defensores dos fracos e oprimidos. Salvaguardas da Justiça. Projeções do melhor que a Humanidade tem a oferecer. Honrados e justos. É assim como a maioria das pessoas enxergam os super-heróis. Mas não Garth Ennis. Ele repudia o conceito de super-heróis e expõe seu asco por eles sempre que possível (vide suas últimas histórias para o Justiceiro do selo Knight). E <em>The Boys</em> trata justamente disso. A HQ retrata os super-heróis sob o ponto-de-vista (nada favorável) do Ennis, valendo-se de bastante ironia e humor negro.</p>
<p>Em <em>The Boys</em> somos apresentados a um mundo paralelo, contemporâneo ao nosso, mas com uma pequena diferença: super-heróis. Eles existem e atuam ao seu bel-prazer, pois governo algum tem culhões para enfrentá-los. Para o público, eles refletem os ideais que já estamos habituados, mas, por detrás de todo o marketing, eles se mostram mesquinhos, arrogantes, prepotentes, violentos e hipócritas. São pessoas outrora ordinárias que devido aos poderes e influência obtidos têm seus egos inflados e os piores defeitos maximizados.<span id="more-2862"></span></p>
<div id="attachment_3010" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-3010" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2009/01/the-boys-2.jpg" alt="Homelander, o maior dos super-heróis, e a novata Starlight." width="400" height="323" /><p class="wp-caption-text">Homelander, o maior dos super-heróis, e a novata Starlight.</p></div>
<p>É nesse contexto em que somos apresentados aos <em>The Boys</em> do título, um grupo de pessoas patrocinadas pelo governo americano cujos membros sentem um ódio bastante pessoal pelos vigilantes, liderados por Billy &#8220;Butcher&#8221;. Anos antes do começo da série o dito grupo foi desfeito por razões ainda não reveladas, e nas primeiras edições acompanhamos o senhor Butcher reunir a sua antiga equipe novamente e a buscar por um substituto a um deles, o qual teve as suas netas assassinadas devido ao seu envolvimento com a equipe.</p>
<p>O tal substituto nos é apresentado logo na primeira edição; trata-se do escocês Hugh Campbell, cuja namorada foi morta como conseqüência do discuido de um super-herói, A-Train, dotado de velocidade sobre-humana, que a fez acidentalmente ser esmagada por um vilão. O caso é abafado e Campbell assina um documento garantindo que ele não irá tomar ações legais, seja contra o super-herói, seja contra o governo.</p>
<div id="attachment_2874" class="wp-caption alignleft" style="width: 406px"><img class="size-full wp-image-2874" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2008/12/theboys61.jpg" alt="Fatidico momento que muda a vida de Campbell para sempre." width="396" height="300" /><p class="wp-caption-text">Fatídico momento que muda a vida de Campbell para sempre.</p></div>
<p>Além de Campbell e Butcher, a equipe conta com mais três integrantes; <strong>The Frenchman</strong>, um francês maluco extremamente violento e perigoso, apesar da aparência; <strong>The Female</strong>, jovem de aparência oriental, calada e reservada, porém verdadeiramente psicótica; e <strong>The Mother&#8217;s Milk</strong>, vulgo MM&#8217;s, segundo-em-comando e o único do grupo que ainda deposita alguma fé nos super-heróis.</p>
<div id="attachment_2868" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-2868" src="http://battlenerds.files.wordpress.com/2008/12/the-boys1.jpg" alt="Frenchman, Butcher, Campbell, The Female e Mother's Milk." width="400" height="600" /><p class="wp-caption-text">Os Garotos, em sentido anti-horário: Frenchman, Butcher, Campbell, The Female e Mother&#39;s Milk</p></div>
<p><em>The Boys</em> começou a ser publicada pelo selo Wildstorm, no entanto, devido ao forte tom anti-heroístico presente na obra, a DC se sentiu desconfortável com o título e o cancelou, ainda que ele contasse com fortes vendas. Num exemplo raro de bom-senso vindo da Distinta Concorrência, Ennis foi permitido levar o título à outra editora, e o seu desenhista e co-criador, Darick Robertson, também recebeu o aval da DC para trabalhar no título fora da editora, com a qual ele tem firmado um contrato de exclusividade.</p>
<p>Em 2008, a série foi indicada a um Eisner Award para <em>Best Continuing Series</em>, assim como a um GLAAD Media Award. Atualmente, a Columbia Pictures está cuidando de uma adaptação cinematográfica da HQ, com os roteiristas de Aeon Flux Matt Manfredi e Phil Hay trabalhando no roteiro, sob produção de Neal H. Moritz, cujos créditos incluem <em>Velozes &amp; Furiosos</em>, <em>xXx</em>, <em>Eu Sou a Lenda</em>, dentre outros.</p>
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