2009
10.24

umbigo

Umbigo Sem Fundo é uma (grande) amostra da genialidade de Dash Shaw, que, com meros 23 anos, deu cria a uma das graphic novels mais complexas, instigantes e brilhantes desta década – quiçá da história dos quadrinhos.

David e Maggie, os patriarcas da família Loony, após quarentas anos de casório e três filhos, decidem se divorciar, alegando, laconicamente, que simplesmente não se amam mais, o que impele a uma última reunião familiar; Dennis, o filho mais velho, recebe a notícia com espanto e indignação, tornando-se obcecado em entender os motivos para a separação, contrastando com a aparente apatia com que Claire -  a filha do meio, divorciada e com uma filha à beira da adolescência – e Peter, o caçula, reagem ao fato.

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Ao longo das 720 páginas que constituem a HQ (como eu disse, grande amostra), Shaw disseca a dinâmica familiar dos Loony, explorando como essa ruptura abrupta no gênesis familiar repercute em cada um dos seus membros e como a situação obriga os personagens a lidarem com os seus próprios traumas e temores.

Para esse fim, Shaw recorre a recursos estéticos  peculiares aos quadrinhos, explorando todas as possibilidades narrativas que o gênero oferece, como uma diagramação “orgânica” que se molda às exigências dramáticas das cena; painéis que se mergem para representar ações contínuas; onomatopéias que, ao invés de representarem sons abstratos, têm finalidades descriticas etc.

O seu domínio precoce na técnica e na forma de se fazer quadrinhos remete de certa forma ao mestre Alan Moore, que também inovou a linguagem do meio através de Watchmen. É possível inclusive traçar certas influências, como a utilização, em ambas as obras, de excertos de jornais/diários, visando a transmitir informações ao leitor que não poderiam ser obtidas de outra maneira.

No Brasil, a publicação do título pela Quadrinhos na Cia coincidiu com a vinda do autor ao país, que marcou presença tanto na XIV Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, quanto numa sessão de autógrafos e bate-papo em São Paulo, acompanhado pelos gêmeos Gabriela Bá e Fábio Moon.

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2009
10.04

Godot

Títulos costumeiramente denunciam as peças-chave de suas histórias; vide, por exemplo, os livros da série Harry Potter, que sempre fazem menção a elementos fundamentais da trama em questão (e.g: A Pedra Filososal), ou, ainda, os romances conspiratórios de Dan Brown. Por isso mesmo, quando vemos um título como Esperando Godot, é natural assumir que a identidade do Godot e/ou o contexto de sua aparição serão de imprescindível importância à trama. Afinal, caso contrário, por que ressaltar o personagem a tal ponto de nomear a própria obra atrás dele?

Trata-se, contudo, de uma expectativa enganosa: Godot nada mais é do que o equivalente literário do conceito de MacGuffin popularizado por Hitchcock:

[É] o dispositivo, o artifício, ou os papéis que os espiões estão atrás… A única coisa que realmente importa no filme é que os planos, documentos ou segredos pareçam de vital importância para os personagens. Para mim, o narrador, eles não têm qualquer relevância.

Godot nunca aparece. Ao leitor é entregue apenas vagas descrições de sua aparência. A sua identidade per se não é o que importa, mas, sim, o que ele representa, o que também é vago e aberto a interpretações. Godot pode representar a esperança, ou a liberdade, ou a salvação, ou  redenção, ou simplesmente uma alegoria a Deus. A força do personagem jaz justamente na sua obscuridade, como explica David Mamet no seu Three Uses of the Knife:

Quão menos específicas as qualidades do MacGuffin forem, mais interessada a audiência ficará… Uma abstração vaga permite aos membros da audiência projetar seus próprios desejos num alvo essencialmente ausente.

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2009
09.19

The Shield Cover

A corrupção das forças da Lei é um tema recorrente na mídia – inclusive na do entretenimento – a ponto de existir um rótulo próprio para acomodar filmes do gênero: o thriller policial. Em 2001, esse mesmo gênero experimentou o seu apogeu com o premiado Dia de Treinamento, que resultou no segundo Oscar de Melhor Ator para o seu protagonista, Denzel Washington.

Coincidentemente, ou não, no ano seguinte, o (até então)  inexpressivo  canal à cabo Fox FX estreou a sua primeira produção original, The Shield, que visa a documentar a vida dos policiais de um distrito policial na cidade de Los Angels, num ambiente de crescentes tensões sociais, jogos políticos e corrupção.

O programa gravita em torno de Vic Mackey (Michael Chiklis), tira durão que adota o ditado escrever certo por linhas tortas como mantra, e que  lidera uma “tropa de elite”, a Strike Team, que atua em casos de alta periculosidade, em frequente atrito com o chefe da delegacia, David Aceveda (Benito Martinez), que, ciente dos podres de Vic, tenta a todo custo derrubá-lo.

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2009
09.12

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Química, tecnicamente, é o estudo da matéria, mas prefiro vê-la como o estudo da transformação [...] É crescimento, depois decomposição e, em seguida, transformação.

Walter White (Bryan Cranston), vinte anos atrás, era um cientista renomado, agraciado com um Noble por suas contribuições para o estudo dos prótons; hoje, um professor de química secundarista, loser, impotente e patético, uma sombra pálida do seu próprio passado. Um bebê não-planejado está a caminho, seu filho mais velho sofre de paralisia cerebral e todos os seus amigos de outrora se tornaram milionários e com uma vida bem melhor que a dele.

Todavia, tal como na citação que começa este texto, depois da decomposição vem a transformação. Quando Walt descobre ter câncer terminal e apenas dois anos, no máximo, de vida, ele se compromete a usar o pouco tempo que lhe resta para assegurar a maior quantia monetária possível para a sua família a fim de garantir a sobrevivência e prosperidade dos mesmos postumamente.

O que fazer para alcançar essa meta lhe vem à mente enquanto ele assiste a um noticiário reportando uma blitz num laboratório ilegal de metanfetamina, e se surpreende com os valores apreendidos. Não é o método mais seguro, embora certamente um dos mais rápidos, para enriquecer, mas Walt tem ciência de que, com o pouco tempo de vida que lhe resta, dificilmente terá que encarar as consequências a longo-prazo de suas ações.

Walt, Skyler e Walt Jr.

Walt, Skyler e Walt Jr.

Ao lado de um ex-estudante que ele viu escapar por pouco de uma batida da Narcóticos (Jesse Pinkman, interpretado por Aaron Paul), Walt comercializa seus dons químicos na produção e distribuição de metanfetamina, método rápido (mas não tão seguro) de se obter riqueza.

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2009
09.04

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There is a very thin line between an artist and a serial killer.

Desde The Sky Moves Sideways o grupo de rock Porcupine Tree vem se estabelecendo como um dos nomes mais promissores da música contemporânea. A cada release, a banda refinou seu som, aprimorou suas letras e viu seus integrantes se aperfeiçoarem enquanto músicos, o que se traduziu numa nova direção musical a partir de Stupid Dream (1999), em que o esmero técnico de seus compositores resultou num álbum com inegável apelo pop, porém tão complexo e rico em texturas musicais quanto seus trabalhos antecessores, apenas mais condensado e conciso – inaugurando a chamada segunda fase da banda.

Todavia, o álbum que simboliza essa era não se trata nem do Stupid Dream nem do Lightbulb Sun (2000), e, sim, de In Absentia (2002), em que a maturidade musical conquistada pelo grupo se refletiu na incorporação definitiva de influências diversas que se manifestavam com timidez, mas que, hoje, são indissociáveis ao som da banda.

In Absentia foi composto num período de mudanças: Chris Maitland, baterista do grupo desde o final de 1993, anunciara a sua saída da banda em Fevereiro de 2002, sendo reposto por Gavin Harrinson, a primeira troca de integrantes a ocorrer na história da banda; simultaneamente, o próprio grupo havia a pouco migrado para uma gravadora major; e Steven Wilson, líder/vocalista/guitarrista/pianista/etc da banda, reapaixonara-se pelo heavy metal, impulsionado pelo som de bandas como Opeth e Meshuggah, o que mudou drasticamente a sua forma de compor música.

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2009
08.23

O Outro

Bernhard Schlink é, internacionalmente, um dos autores alemães mais bem-sucedidos da atualidade. Seu polêmico O Leitor, cuja premissa funciona como metáfora para o zeitgeist de culpa e vergonha alemão do pós-guerra, foi um best-seller tanto dentro quanto fora do seu país, culminando numa adaptação para os cinemas em 2008, dirigido por Stephen Daldry e com Kate Winslet e Ralph Fiennes nos papéis principais.

No Brasil, o título repetiu o sucesso internacional, com uma reedição lançada concomitantemente ao filme que permaneceu várias semanas em listas de mais vendidos, o que incentivou a Record a publicar mais um de seus trabalhos por aqui: O Outro.

Bernhard Schlink

Bernhard Schlink

Um sujeito comum descobre que sua falecida esposa, a quem ele confiava totalmente, teve um caso, por anos, com Outro, ao checar uma correspondência do dito cujo a ela, ignorante do seu falecimento. O viúvo, então, aproveitando-se da anonimidade da língua escrita, personifica-a em cartas, a fim de descobrir as circunstâncias e a natureza dessa traição e, no processo, aprendendo a respeito dela, de si e do Outro

A premissa é instigante, mas o seu desenvolvimento não faz jus à expectativa criada – a narrativa de Schlink é tão concisa que todo o potencial dramático da história é sufocado. Os eventos são narrados friamente, com escassos lampejos poéticos; os personagens são meros esboços de pessoas, vazios, desprovidos de empatia e com caracterizações pífias.

A proposta do livro havia de oferecer farto material para reflexões, se abordada com mais sensibilidade. Bengt (chamado Peter no longa-metragem) encontrara conforto na rotina, e, sem perceber, afastara-se emocionalmente da sua esposa, o que se manifesta na sua total ignorância quanto aos anseios de sua falecida amada, embora, fisicamente, nunca tenham se separados. Infelizmente, esses são temas trabalhados superficialmente, jamais alcançando um efeito dramático que ecoe no leitor.

Publicado pela Edit. RECORD, 96 páginas. R$12,90. Tradução de Kristina Michahelles.

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2009
08.15

WAR ZONE cover

O Justiceiro surgiu nas páginas da revista do Homem-Aranha nos anos 70, rapidamente se estabelecendo como um dos personagens mais populares da Marvel, alcançando o auge de popularidade nos 80′s, época em que protagonizou nada menos que três títulos solos mensais, fora as minisséries e one-shots.

Várias foram as tentativas de transpor esse sucesso para as telonas, a começar por O Justiceiro (1989), dirigido por Mark Goldblatt (quem?) e estrelado por Dolph Lundgreen (o antagonista do quarto Rocky). Embora uma reprodução acurada do tratamento que o personagem recebia nos quadrinhos à epoca, o filme foi universalmente execrado tanto por fãs quanto por críticos.

Quinze anos depois, foi a vez de outro título homônimo comandado por Jonathan Hensleigh (Bem-Vindo à Selva e o terceiro Duro de Matar)  e protagonizado por Thomas Jane (que agora envereda pela televisão na série Hung) tentar a sorte na tela grande. Apesar de ser a mais bem-recebida de todas as adaptações do personagem, o longa fracassou tanto comercial quanto criticalmente.

Comparação

E enfim chegamos a este Punisher: War Zone (O Justiceiro: Em Zona de Guerra, por aqui). Concebido pela cineasta iniciante Lexi Alexandre (cujo único outro título no currículo é o projeto pessoal Hooligans), trata-se do primeiro longa do personagem (aqui incorporado por Ray Stevenson) a ter uma classificação R nos EUA, restringindo- o maiores de idade em virtude da violência gráfica apresentada (quase inacreditável que já não fosse assim antes).

No novíssimo (e, provavelmente, o último) filme do Justiceiro, Frank Castle está em atuação há seis anos, exterminando sistematicamente todas as famílias mafiosas de Nova York, incluíndo os Russoti, chachinados durante um banquete familiar, o que abre caminho para que o único sobrevivente da linhagem – Jimmy “The Beaut” Russoti (Dominic West, de A Escuta) – execute seus planos sem ser incomodado – isto é, exceto pelo próprio Justiceiro, com quem ele se envolve num tiroterio que culmina com o mafioso sendo desfigurado num triturador de vidro e a adotar a alcunha de “Retalho” (Jigsaw).

Uma boa diretora + um bom elenco + liberdade criativa = SUCESS!, certo? Errado.

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2009
06.26

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Cover

Craig Thompson cresceu numa família pobre e extremamente religiosa, num ambiente de opressão e de temor a Deus, forçado a dividir a cama com o irmão até a adolescência, vítima frequente de bullying escolar e da intransigência de seus pais, que nunca lhe deram direito a ter uma opinião. Isso, somado à lavagem cerebral religiosa pelo qual passou, tornaram-no um crente fervoroso, fazendo-o renegar o seu dom para o desenho e se dedicar a uma vida “em Cristo”.

Todavia, num retiro para jovens cristãos (que mais se assemelhava a uma confraternização entre os mauricinhos da cidade, pra ser honesto), ele se depara e socializa com um grupo de párias tão deslocados quanto ele; e, entre eles, uma jovem chamada Raina lhe chama a atenção. Expressiva, jovial, vívida e independente, em muitas maneiras a sua total antítese. Tais como dois corpos de cargas opostas, eles se atraem, num relacionamento que afetará ambos profundamente.

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Retalhos se assemelha a Fun Home no sentido de se tratar de uma auto-biografia com ênfase evidente em determinado aspecto da vida do autor; enquanto que em Fun Fome a relação de Alison com o pai é o foco, em Retalhos é a relação entre o protagonista (o autor) com seu primeiro amor (Raina, a moça na capa) que é abordada com mais profundidade.

Além disso, em comum as duas HQs também apresentam numerosas idas e vindas no tempo, costuradas por narrativas sólidas e engajantes, onde cada recapitulação (ou “flashback”) funciona para justificar as ações no presente por um viés psicológico ou para realçar certos traços comportamentais dos personagens e/ou seus estados de espírito. Notar-se-á, por exemplo, como a relação entre Craig e o irmão é retratada de forma intensa no começo da livro e gradativamente deixada de lado, culminando numa espécie de metalinguagem narrativa – conforme os irmãos, na vida real, distanciaram-se, a interação entre os dois, na HQ, também.

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Retalhos se trata de uma obra densa (são mais de 592 páginas), rica em metáforas e mensagens, que merece ser lida e relida várias vezes para ser apreciada em sua plenitude; lá fora, a obra venceu três prêmios Harvey (Melhor Artista, Melhor HQ e Melhor Cartunista), dois Eisner (Melhor Escritor/artista e Melhor HQ) e diversos outros, reforçando o reconhecimento ainda que tardio dos quadrinhos como mídia adulta em potencial.

No Brasil, foi editado pela recém-formada Cia das Letras., subdivisão da Companhia das Letras dedicada exclusivamente a quadrinhos alternativos, com um preço de capa bastante atrativo de R$49,90, baratíssimo para uma obra com quase 600 páginas de arte, papel de qualidade e excelente diagramação.

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2009
05.06

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cover

Em A Metamorfose acompanhamos a vida de um caixeiro-viajante de nome Gregor Samsa que, após uma noite de “sonhos intranquilos”, vê-se transformado num inseto grande e monstruoso, dotado de inúmeras patas, um par de antenas e costas duras como couraça (à mente, vem a imagem de uma barata, embora isso nunca seja corroborado pelo texto). Samsa, todavia, exibe uma naturalidade ímpar ao fato, preocupando-se solemente com a insatisfação do seu chefe perante o seu atraso nesse dia em específico.

Contudo, o entorpecimento excêntrico com o qual Gregor encara a sua nova condição não é compartilhado pelos seus familiares, nem com o gerente da firma para qual trabalha que foi à sua casa demandando explicações. Todos se mostram horrorizados com a sua aparência, o gerente foje desesperadamente, e o pai obriga Samsa voltar para seu quarto, sob a ameaça de violência física.

A Metamorfose, traduzida para os quadrinhos

A Metamorfose, traduzida para os quadrinhos

Desse ponto em diante, somos expostos às lucubrações do protagonista quanto à sua nova condição, à dinâmica familiar que se costura e impera na família e ao progressivo distanciamento e repulsa que a sua família passa a nutrir por ele, culminando no total isolamento do filho e ao desejo de se ver livre dele, confortando-se na ideia de que, afinal, aquele ser grotesco não poderia possivelmente mais ser o filho deles.

A Metamorfose apresenta uma leitura concisa e engajante, dotada de um humor inusitado e orgânico, justificado pela maneira indiferente com a qual Samsa encara o seu novo estado. Embora curto (a edição da Companhia das Letras, com tradução de Modesto Carone, conta com meras 102 páginas, das quais 85 são da história propriamente dita), o romance dá margem a diversas interpretações para a situação inusitada do seu protagonista e o que Kafka pretendia com isso. Uma crítica ao capitalismo? Um estudo da hipocrisia humana? Uma alusão à sua própria dinâmica familiar (é notória a problemática relação de Kafka com o pai)?

A Metamorfose se configura como um dos raros trabalhos de Kafka publicados anteriormente à sua morte, tendo-lhe rendido, inclusive, o Prêmio Fontane de Literatura – entregue a ele por Carl Sternheim, dramaturgo e famosos expressionista alemão – e por ser o mais longo dos seus contos (ainda assim, escrito em apenas vinte dias!). É possível lê-lo, na íntegra, aqui.

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2009
05.03

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Os Leões de Bagdá remete, a princípio, a O Rei Leão, famosa animação da Disney, por também ser protagonizado por leões com comportamentos homólogos ao do Homem, e por um dos seus personagens – o infante do grupo, Ali – ser claramente inspirado no jovem Simba. Essa impressão, todavia, logo se dissipa quando o leitor é posto a presenciar, em caráter de flashback, uma forte cena de estupro de uma de suas protagonistas, a hoje idosa Safa. Posteriomente, as cenas de violência gráfica e o semblante dos corroboram: este não é um livro para crianças.

Os Leões de Bagdá é uma fábula de forte tom político que narra o cotidiano do grupo de lões do título, que enfim alcançam a tão almejada liberdade quando o zoológico em que se encontram é bombardeado e destruído por caças americanos. A trama, então, muda de ambiente; do zoológico para a destroçada cidade de Bagdá, onde eles se virão forçados a superar muitos empecilhos e desafios se quiserem sobreviver, mostrando que a tão sonhada liberdade pode vir com um preço alto demais.

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