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	<title>O Neuromancista</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>Batman: O Longo Dia das Bruxas</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 20:36:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Longo Dia das Bruxas, maxissérie escrita por Jeph Loeb e desenhada por Tim Sale, dois pesos-pesados da indústria dos quadrinhos, é uma das histórias mais importagens no universo do Homem-Morcego, responsável por definir o canon da transição de Harvey Dent no vilão Duas-Caras, além de certos elementos de sua premissa terem inspirado os irmãos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/12/Longo-Hallo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4869" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/12/Longo-Hallo.jpg" alt="Longo Hallo" width="375" height="495" /></a>O Longo Dia das Bruxas</strong>, maxissérie escrita por Jeph Loeb e desenhada por Tim Sale, dois pesos-pesados da indústria dos quadrinhos, é uma das histórias mais importagens no universo do Homem-Morcego, responsável por definir o <em>canon</em> da transição de Harvey Dent no vilão Duas-Caras, além de certos elementos de sua premissa terem inspirado os irmãos Nolan em <em>O Cavaleiro das Trevas</em> &#8211; a ponto dos dois escreverem um prefácio para um encadernado de luxo da história.</p>
<p>A ambientação é o que chama logo a atenção e é, sem dúvida, o grande destaque da obra:  Sale veste Gotham com uma roupagem noir, fazendo bom uso de sombras e de uma paleta de cores rica em contrastes,  enquanto Loeb pinta um competente retrato da máfia local, claramente inspirado no trabalho de cineastas como Coppola e Scorcese, que encontra-se acuada pela onda crescente de super-vilões a assolarem a cidade desde o surgimento do Cavaleiro das Trevas &#8211; um dos temas emprestados pelos Nolan para seus filmes.</p>
<p>Infelizmente, contudo, Loeb não abre mão do recurso do &#8220;<em>whodunit?</em>&#8220;, elemento onipresente em sua carreira. Aqui, o mistério gira em torno de um assassino conhecido como Feriado, que, como o próprio nome já denúncia, ataca apenas em feriados, sempre mirando em membros da família de mafiosos que controlam submundo de Gotham.</p>
<p>A questão é bem conduzida até o final, quando Loeb, na necessidade de chocar o leitor, vacila feio na revelação da identidade(s) do personagem, cuja alegada ambiguidade é uma mera desculpa para justificar os muitos furos que se evidenciam numa análise mais atenta.</p>
<p>Na edição definitiva publicado por aqui pela Panini &#8211; cujo tratamento arrojado a editora só viria a reproduzir com <em>Watchmen</em> &#8211; há, entre os extras, o esboço do roteiro original escrito por Loeb que passou por acentuadas mudanças, a principal deles pertinente ao tal do Feriado: originalmente, ele seria o assassino conhecido como Calendário, um obscuro nome da galeria de vilões do Batman. Na versão final do roteiro ele foi rebaixado a um coadjuvante a quem o morcegão busca assistência para lidar com o Feriado.</p>
<p>No frigir dos ovos, trata-se de uma história com méritos óbvios e inegáveis &#8211; tal como ser a pioneira em retratar Dent como um promotor cada vez mais amargurado com um sistema corrupto e ineficiente &#8211; mas que se mostra frustrantemente insatisfatória no fim. Sua relevância história é inegável, mas eu não a poria de jeito algum no <em>roll</em> das melhores histórias protagonizados pelo Cavaleiro de Gotham. E tampouco pagaria os R$95 cobrados por ela.</p>
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		<title>Homem Comum (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 02:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Philip Milton Roth é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (A Estrada) e Thomas Pynchon, ganhador de dois National Book Awards (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois National Book Critics Circle Awards e um Pulitzer &#8211; fora incontáveis outros prêmios.
Entre diversos trabalhos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4855" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg" alt="homem-comum" width="300" height="461" /></a> Philip Milton Roth</strong> é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (<a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/2009/11/08/a-estrada/" target="_blank">A Estrada</a>) e Thomas Pynchon, ganhador de dois <em>National Book Awards</em> (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois <em>National Book Critics Circle Awards</em> e um <em>Pulitzer</em> &#8211; fora incontáveis outros prêmios.</p>
<p>Entre diversos trabalhos do autor vistos como obras-primas, meu primeiro contato com a ficção de Roth se deu por meio de um dos seus romances &#8220;menores&#8221;, de publicação recente: Homem Comum (ou <em>Everyman</em>, no original), alusão a um poema medieval datado do século quinze, de autoria desconhecida.</p>
<p>O romance se inicia de maneira intrigante, partindo pelo <em>fim</em> da narrativa: o enterro do protagonista (cujo nome nunca ficamos a par), acompanhado pelo discurso de uma gama de personagens que o leitor virá a se familiarizar com o passar do tempo, cada  um dotado de sua própria visão do falecido: seja de incompreensão (seu irmão, Howie), de estima (sua filha, Nancy), de amor (sua segunda ex-esposa, Phoebe) ou de raiva (seus dois filhos do primeiro casamento).</p>
<p>A narrativa, então, retrocede no tempo para a infância do sujeito e segue, a partir dai, mais ou menos linearmente. Assistimos ao apogeu profissional e emocional do personagem e a seu subsequente declínio, numa narrativa que nunca falha em remeter ao seu tema principal: a Morte, e como nós a encaramos e nos relacionamos com ela, sintetizado pelo Homem Comum, cujas virtudes, defeitos, vícios e ideais encontram ressonância em cada um de nós em menor ou maior grau.</p>
<p>O primeiro contato que Ele tem com a Morte é na sua tenra infância, quando um cadáver aparece na praia que ele e a família costumavam frequenter; eles se reencontram pouco tempo depois, na forma de um companheiro hospitalar, um garoto tal como ele, cuja existência se mostrou breve demais.</p>
<blockquote><p>De início, não adormeceu porque ficou esperando que o outro menino morresse, e depois porque não conseguia parar de pensar no corpo do afogado que o mar tinha largado na praia no último verão.</p></blockquote>
<p>Anos depois, no auge da sua vida adulta &#8211; publicitário bem-sucedido, garanhão e saudável &#8211; esse tipo de pensamento ainda o atormenta.  A mortalidade se tornou um estigma que ele passou a carregar, onipresente, pairando sobre todos os aspectos da sua vida.  <em>Por que se imaginava próximo da extinção quando um raciocínio tranquilo e objetivo lhe dizia que ainda tinha muita vida sólida pela frente?</em>, indaga Roth. Ironicamente, é a partir desse ponto que a sua saúde se deteriora a passos largos, exigindo intervenções médicas recorrentes.</p>
<p>Quando o Sujeito chega à reta final da sua vida &#8211; e o livro, por tabela, ao seu fim &#8211; ele se vê solitário, combalido e isolado da sua família, jazendo amargamente num retiro para velhos, tendo como único passatempo a pintura, atividade essa que não tarda a perder seu encanto.</p>
<p>Suas tentativas em remediar essa situação são inexoravelmente frustadas: as moças com quem ele flerta não lhe dão atenção, seus poucos amigos estão ou mortos, ou em vias para tanto, e ele não é bem-recebido em nenhuma das duas famílias que ele ajudou a construir, exceptuando-se pela sua filha mais nova, que nutre por ele um carinho admitidamente injustificado.</p>
<blockquote><p>Havia cortado suas raízes justamente no momento em que a idade exigia que ele estivesse tão arraigado quanto no tempo em que dirigia o departamento de criação da agência publicitária. Ele sempre se sentira revigorado pela estabilidade, nunca pela imobilidade. E sua vida atual era pura estagnação. Agora lhe faltavam todas as formas de alívio, vivia uma esterilidade disfarçada de consolo, e  não era possível voltar atrás.</p></blockquote>
<p>Trata-se, em suma, de um romance bastante sombrio que registra os piores aspectos do envelhecimento &#8211; a fragilidade,  o isolamento, a impotência &#8211; na figura de um indivíduo cuja vida foi marcada pelo temor do produto final da soma desses fatores e que vem a constatar, muito para a sua infelicidade, que simplesmente seguiu a estrada errada na vida.</p>
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		<title>Lasse Hoile</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 22:08:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Artista, fotógrafo, designer gráfico e cineasta, Hoile é reconhecido pelo seu estilo ao mesmo tempo vintage e moderno, assim como pela intensidade emocional que imprime aos seus trabalhos, os quais muitas vezes retratam situações de melancolia, solidão e/ou desamparo, dotados de subtextos críticos que remetem à sua própria visão de mundo.
 
Hoile é um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/07/800px-lasse_in_stockholm_.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4586" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/07/800px-lasse_in_stockholm_-300x207.jpg" alt="800px-lasse_in_stockholm_" width="300" height="207" /></a> Artista, fotógrafo, designer gráfico e cineasta, Hoile é reconhecido pelo seu estilo ao mesmo tempo <em>vintage</em> e moderno, assim como pela intensidade emocional que imprime aos seus trabalhos, os quais muitas vezes retratam situações de melancolia, solidão e/ou desamparo, dotados de subtextos críticos que remetem à sua própria visão de mundo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Hoile é um colaborador frequente de Steven Wilson, incumbido de todas as capas e artes internas da banda de rock progressivo Porcupine Tree, um dos vários projetos musicais de Wilson, desde o <em>In Absentia</em> e responsável por dirigir o primeiro registro ao vivo do grupo para o DVD <em>Arriving Somewhere&#8230;</em> Ele também dirigiu os videoclipes para <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=efsm6aJPybg" target="_blank">Fear of a Blank Planet</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=4bI7_vPw8Ik" target="_blank">Normal</a> e <a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;videoid=62284927" target="_blank">Time Flies</a> (clique nos links para assisti-los)</p>
<p>Lasse contribuiu ostensivamente para o primeiro trabalho-solo de Wilson, tendo dirigido o videoclipe para <em>Harmony Korine</em>, provido todo o <em>artwork</em> interno para o livro de 120 páginas que acompanha a edição de luxo do CD e ainda filmado o documentário tematicamente ligado ao álbum, a ser lançado no segundo semestre.</p>
<p>Ele também emprestou seu talento para o grupo de death metal progressivo <em>Opeth</em> ao dirigir um par de vídeos musicais para as canções <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=mfT1A5Caq84" target="_blank">Porcelain Heart</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=4UQCqvkWdAs" target="_blank">Burden</a>.</p>
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		<title>A Estrada</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 16:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O fim do mundo é um tema que sempre nos fascinou, sendo uma presença recorrente no nosso imaginário desde tempos remotos, manifestando-se  tanto na religião quanto nas Artes. As causas se moldam conforme o contexto da época: na Idade Média teve um caráter religioso, justificando-se por meio do Apocalipse; em tempos modernos, em particular durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4829" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg" alt="theroad" width="300" height="485" /></a>O fim do mundo é um tema que sempre nos fascinou, sendo uma presença recorrente no nosso imaginário desde tempos remotos, manifestando-se  tanto na religião quanto nas Artes. As causas se moldam conforme o contexto da época: na Idade Média teve um caráter religioso, justificando-se por meio do <em>Apocalipse; </em>em tempos modernos, em particular durante meados do século XX,<em> </em>passou a ser uma hecatombe nuclear; e, em tempos contemporâneos, na destruição irreparável do meio-ambiente.</p>
<p>Em vista disso, explorar referido tema de forma original e interessante representa um desafio enorme, visto que o mesmo já foi trabalhado de incontáveis maneiras no decurso da história -- é necessário, portanto, um artista com bastante desenvoltura e, acima de tudo, talento.</p>
<p>E McCarthy tem talento para dar e vender.</p>
<p>Em <em><strong>A Estrada</strong></em> (Alfaguara, 234 páginas; R$ 36,90), acompanhamos as travessias de um pai e seu menino -- identificados exatamente dessa forma pelo autor -- numa América pós-apocalíptica, vítima de uma catástrofe que -- a fim de conferir um caráter atemporal à história -  nunca é especificada. Agarrando-se a um último fiapo de esperança, eles cruzam os Estados Unidos em direção ao mar, na esperança de encontrarem algum conforto, seguindo pela estrada do título.</p>
<p>Naturalmente, no decorrer da narrativa, o Pai e o Menino cruzam caminhos com outros sobreviventes, embora em termos, via de regra, pouco amistosos. O colapso da sociedade impeliu os poucos sobreviventes a regressarem a um estado neolítico, vivendo em tribos e caçando em bandos -- geralmente, seres da própria espécie. O canibalismo, em virtude da escassez de comida, tornou-se uma necessidade.</p>
<p>Há exceções, evidentemente; duas deles sendo o  par de protagonistas: o menino, por estar sempre sob os cuidados do Pai, ainda retém certa inocência; e o dito cujo, que cultiva a humanidade que ainda lhe resta em prol do filho, perserverando contra todas as adversidades -- doença, fome, cansaço -- para resguardá-lo.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4833" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg" alt="theroadfirstphoto" width="500" height="335" /></a></p>
<p>É importante frisar que este romance não se trata de uma<em> aventura</em>, mas, sim, de uma <strong>jornada</strong>: a ênfase é no cotidiano dos personagens e todas as dificuldades atreladas a ela. McCarthy foi, neste ponto, extremamente minucioso, explorando todas os empecilhos e problemas que dois indivíduos nessa situação possivelmente teriam que lidar, como a busca por alimento, abrigo, roupas etc. Quase um manual de sobrevivência. Embora momentos mais frenéticos existam, eles são pontuais, dispersos ao longo da narrativa.</p>
<p>A linguagem concisa, seca e direta de McCarthy encontra, aqui, o seu par temático perfeito. As descrições das paisagens naturais -- cinzentas e mortas -- e do tecido urbano -- necrosado e pútrido -- incitam no leitor um desconforto perene, um senso gradativamente maior de opressão -- como se esses cenários estivessem se construíndo ao seu redor, propiciando acesso à própria aflição dos personagens.</p>
<p>O romance foi reconhecido como uma obra-prima contemporânea, a ponto de ser definido, pela crítica, como a Obra Definitiva na literatura pós-apocalíptica. Em 2007 venceu o <em>Pulitzer Prize for Fiction</em>. O livro também foi um dos finalistas do <em>National Book Awards </em>em 2006.</p>
<p>Uma adaptação cinematográfica, dirigida por John Hillcoat (do cult <em>A Proposta</em>) e estrelado por Viggo Mortensen (Pai) e pelo desconhecido Kodi Smit-McPhee (Menino), estreará em Novembro deste ano, e é vista como uma concorrente de peso para os óscares; no Brasil, apenas em 2010.</p>
<p style="text-align: center"><!-- Smart Youtube --><span class="youtube"><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hbLgszfXTAY&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed wmode="transparent" src="http://www.youtube.com/v/hbLgszfXTAY&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="355" ></embed><param name="wmode" value="transparent" /></object></span></p>
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		<title>Whiteout</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 00:40:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
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		<description><![CDATA[
Estação Mcmurdo, Mactown. MacLamaçal. Ganhou esse nome por causa do Estreito de McMurdo, que, por sua vez, foi batizado em homenagem ao Tenente Archibald McMurdo, do HMS Terror, em 1841.
[...]
A Antárctida tem aproximadamente 14.2 quilômetros quadrados, sem contar as ilhas [...] Rocha coberta com 30 milhões de km³ de gelo. Este é o continente mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/whiteout00.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-4806" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/whiteout00.JPG" alt="whiteout00" width="650" height="600" /></a></p>
<blockquote><p>Estação Mcmurdo, Mactown. <strong>MacLamaçal</strong>. Ganhou esse nome por causa do Estreito de McMurdo, que, por sua vez, foi batizado em homenagem ao Tenente Archibald McMurdo, do HMS Terror, em 1841.</p>
<p>[...]</p>
<p>A Antárctida tem aproximadamente 14.2 quilômetros quadrados, sem contar as ilhas [...] Rocha coberta com 30 milhões de km³ de gelo. Este é o continente mais elevado, com média de 2.320 metros acima do nível do mar.</p>
<p>[...]</p>
<p>A temperatura mais baixa já registrada na Terra foi marcada pelos russos na Estação Vostok [...] 89,6ºC negativos, em 21 de Julho de 1983. Frio desse tipo mata. O vapor da água nos pulmões congela instantaneamente, estoura as células&#8230; como se você estivesse explodindo por dentro.</p></blockquote>
<p>Carrie Stetko é uma agente federal americana exilada numa inóspita base na Antárctica em virtude um erro que cometeu no passado. A personagem é uma típica <em>badass</em>: boca suja, impulsiva, audaciosa &#8211; como as figuras femininas nas séries de Joss Whedon, ou a Sarah Connor do segundo <em>Exterminador do Futuro</em> -, do gênero poucos amigos.</p>
<p>Em <em>Morte no Gelo</em> acompanhamos a agente enquanto ela investiga um homicídio ocorrido às vésperas do rigoroso inverso antárctico, época na qual mais de 90% do<em> staff </em>operacional é mandado de volta para casa. A trama gradualmente se complica, com um rastro crescente de vítimas e um  interesse incomum da inteligência inglesa pelo caso.</p>
<p>Em <em>Ponto de Fusão</em>, um ataque acobertado a uma base russa gera inquietações no governo americano, o qual acredita que a base servia como depósito para armas nucleares e biológicas. A agente Stentko é convencida a investigar o caso mediante a promessa de uma transferência para fora do contigente gelado, uma vez o caso encerrado.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/dest_v1_002.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4809" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/dest_v1_002.jpg" alt="dest_v1_002" width="550" height="335" /></a></p>
<p>Ambas as HQs foram escritas por <strong>Greg Rucka</strong>, nome estabelecido dentro dos quadrinhos <em>underground</em>, que demonstrar um ótimo <em>feeling</em> para o suspense, construíndo gradativamente a tensão a partir de uma simples premissa que se complica aos poucos, mas jamais se perdendo ou rodando em círculos, encaixando organicamente à narrativa momentos mais introspectivos, intercalados com a ação; além disso, seu zelo histórico é notável, manifestando-se por meio de curiosidades divulgadas ao longo da narrativa &#8211; algumas  ilustrando a introdução deste texto &#8211; que têm, como fim, imprimir uma credibilidade maior à história.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/20090929-Whiteout-nao-atirem.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4810" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/20090929-Whiteout-nao-atirem-300x221.jpg" alt="miolo_WHITEOUT_02_OK:WHITEOUT.qxd" width="300" height="221" /></a><strong>Steve Lieber</strong> as ilustrou. Seu traço é sóbrio e diversificado, capaz de transitar com facilidade entre painéis mais ricos em detalhes e outros minimalistas em sua essência, incorporando variadas técnicas de desenho, de pincel e acabamento a fim de representar, com a maior fidelidade possível, as várias facetas que o gelo assume nos círculos polares. Seu estilo casa perfeitamente com o de Rucka, traduzindo-se numa narrativa fluida e consistente.</p>
<p><em>Morte no Gelo</em> foi indicada a três Eisner Awards em 1999, para <em>Melhor Série Limitada</em>, <em>Melhor Escritor</em> e <em>Melhor Desenhista</em>; <em>Ponto de Fusão</em>, no ano seguinte, foi indicada e vencedora do Eisner de <em>Melhor Série Limitada</em>. Um terceiro volume fora prometido para o fim deste ano, mas provavelmente terá seu lançamento adiado para 2010.</p>
<p>No Brasil, ambos os títulos foram publicados pela Devir. Um filme baseado em <em>Morte no Gelo</em> foi filmado em 2007, mas só aportou recentemente nos cinemas, com um atraso inexplicável de dois anos (!), sob o título<em> Terror na Antárctida</em>. Carrie Stetko é interpretada por <strong>Kate Beckinsale</strong> (cinessérie <em>Underworld</em>).</p>
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		<title>Umbigo Sem Fundo</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 16:57:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Quadrinhos]]></category>
		<category><![CDATA[bienal do livro]]></category>
		<category><![CDATA[dash shaw]]></category>
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Umbigo Sem Fundo é uma (grande) amostra da genialidade de Dash Shaw, que, com meros 23 anos, deu cria a uma das graphic novels mais complexas, instigantes e brilhantes desta década &#8211; quiçá da história dos quadrinhos.
David e Maggie, os patriarcas da família Loony, após quarentas anos de casório e três filhos, decidem se divorciar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/umbigo.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4789" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/umbigo.jpg" alt="umbigo" width="420" height="599" /></a></p>
<p>Umbigo Sem Fundo é uma (<em>grande</em>) amostra da genialidade de Dash Shaw, que, com meros 23 anos, deu cria a uma das <em>graphic novels</em> mais complexas, instigantes e brilhantes desta década &#8211; quiçá da história dos quadrinhos.</p>
<p>David e Maggie, os patriarcas da família Loony, após quarentas anos de casório e três filhos, decidem se divorciar, alegando, laconicamente, que simplesmente não se amam mais, o que impele a uma última reunião familiar; Dennis, o filho mais velho, recebe a notícia com espanto e indignação, tornando-se obcecado em entender os motivos para a separação, contrastando com a aparente apatia com que Claire -  a filha do meio, divorciada e com uma filha à beira da adolescência &#8211; e Peter, o caçula, reagem ao fato.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/umbigo1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4790" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/umbigo1.jpg" alt="umbigo1" width="235" height="258" /></a></p>
<p>Ao longo das 720 páginas que constituem a HQ (como eu disse, <em>grande</em> amostra), Shaw disseca a dinâmica familiar dos Loony, explorando como essa  ruptura abrupta no gênesis familiar repercute em cada um dos seus membros e  como a situação obriga os personagens a lidarem com os seus próprios traumas e temores.</p>
<p>Para esse fim, Shaw recorre a recursos estéticos  peculiares aos quadrinhos, explorando todas as possibilidades narrativas que o gênero oferece, como uma diagramação &#8220;orgânica&#8221; que se molda às exigências dramáticas das cena; painéis que se mergem para representar ações contínuas; onomatopéias que, ao invés de representarem sons abstratos, têm finalidades descriticas etc.</p>
<p>O seu domínio precoce na técnica e na forma de se fazer quadrinhos remete de certa forma ao mestre Alan Moore, que também inovou a linguagem do meio através de <em>Watchmen</em>. É possível inclusive traçar certas influências, como a utilização, em ambas as obras, de excertos de jornais/diários, visando a transmitir informações ao leitor que não poderiam ser obtidas de outra maneira.</p>
<p>No Brasil, a publicação do título pela Quadrinhos na Cia coincidiu com a vinda do autor ao país, que marcou presença tanto na XIV Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, quanto numa sessão de autógrafos e bate-papo em São Paulo, acompanhado pelos gêmeos Gabriela Bá e Fábio Moon.</p>
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		<title>Esperando Godot (Samuel Beckett)</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 17:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[cosac naify]]></category>
		<category><![CDATA[esperando godot]]></category>
		<category><![CDATA[peça]]></category>
		<category><![CDATA[samuel beckett]]></category>
		<category><![CDATA[teatro do absurdo]]></category>

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Títulos costumeiramente denunciam as peças-chave de suas histórias; vide, por exemplo, os livros da série Harry Potter, que sempre fazem menção a elementos fundamentais da trama em questão (e.g: A Pedra Filososal), ou, ainda, os romances conspiratórios de Dan Brown. Por isso mesmo, quando vemos um título como Esperando Godot, é natural assumir que a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Godot.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4774" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Godot.jpg" alt="Godot" width="400" height="603" /></a></p>
<p>Títulos costumeiramente denunciam as peças-chave de suas histórias; vide, por exemplo, os livros da série <em>Harry Potter</em>, que sempre fazem menção a elementos fundamentais da trama em questão (<em>e.g: A Pedra Filososal</em>), ou, ainda, os romances conspiratórios de Dan Brown. Por isso mesmo, quando vemos um título como <em>Esperando Godot</em>, é natural assumir que a identidade do Godot e/ou o contexto de sua aparição serão de imprescindível importância à trama. Afinal, caso contrário, por que ressaltar o personagem a tal ponto de nomear a própria obra atrás dele?</p>
<p>Trata-se, contudo, de uma expectativa enganosa: Godot nada mais é do que o equivalente literário do conceito de <em>MacGuffin</em> popularizado por Hitchcock:</p>
<blockquote><p>[É] o dispositivo, o artifício, ou os papéis que os espiões estão atrás&#8230; A única coisa que realmente importa no filme é que os planos, documentos ou segredos pareçam de vital importância para os personagens. Para mim, o narrador, eles não têm qualquer relevância.</p></blockquote>
<p>Godot nunca aparece. Ao leitor é entregue apenas vagas descrições de sua aparência. A sua identidade<em> per se</em> não é o que importa, mas, sim, o que ele representa, o que também é vago e aberto a interpretações. Godot pode representar a esperança, ou a liberdade, ou a salvação, ou  redenção, ou simplesmente uma alegoria a Deus. A força do personagem jaz justamente na sua obscuridade, como explica David Mamet no seu<em> Three Uses of the Knife</em>:</p>
<blockquote><p>Quão menos específicas as qualidades do MacGuffin forem, mais interessada a audiência ficará&#8230; Uma abstração vaga permite aos membros da audiência projetar seus próprios desejos num alvo essencialmente ausente.</p></blockquote>
<p><span id="more-4768"></span><br />
<em> Esperando Godot</em> foi escrita por <strong>Samuel Beckett</strong> em meados dos anos 50, numa Europa ainda se recuperando das calamidades da Segunda Guerra. Trata-se não de um romance, e, sim, de uma peça teatral, constituída por apenas quatro personagens: os amigos Vladimir e Estragon, à espera de Godot por uma &#8220;prece&#8221; ou &#8220;vaga súplica&#8221;, como indicado pelo segundo; Pozzo e Lucky, mestre e servo, respectivamente, que cruzam caminhos com os dois herois em meados de cada ato em estados drasticamente diferentes; ainda, há a presença, no desfecho de cada ato, de um mensageiro de Godot, que, em ambas as ocasiões, desculpa-se pela ausência do mesmo e promete que, no dia seguinte, ele aparecerá (prometa essa que nunca se cumpre).</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/beckett.gif"><img class="alignleft size-medium wp-image-4777" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/beckett-217x300.gif" alt="beckett" width="217" height="300" /></a></p>
<p>Ao longo das poucas mais de duzentas páginas da peça, a ação é mínima, a narrativa é  ancorada nos diálogos e divagações dos personagens, que frequentemente se entregam a uma <em>stream of thought</em> coletiva, complementado as ideias uns dos outros, ou denotando suas contradições e/ou implicações, num hábil exercício linguístico recheado de humor negro e sutis críticas sociais.</p>
<p>Também vale a pena ressaltar a forma como Beckett distorce, gradativamente, a noção de tempo da história, a ponto de pôr  em dúvida tanto o leitor quanto os personagens a real duração dos eventos. É dito no começo da peça que o par de protagonista está há dois dias à espera de Godot, mas surgem inúmeros indícios ao longo da narrativa que contradizem isso &#8211; como o fato de Pozzo não se lembrar deles, ou a árvore &#8211; o único elemento na paisagem desoladada peça &#8211; aparecer subitamente folheada no segundo dia, quando no primeiro estava totalmente &#8220;nua&#8221;.</p>
<p><em>Esperando Godot</em> é um dos exemplos mais conhecidos e memoráveis do <em>Teatro do Absurdo</em>, termo criado nos anos sessenta para designar uma série de peças das décadas anteriores que, embora bem diferentes entre si, compartilhavam de várias características em comum, como o enredo muitas vezes non-sense e  diálogos naturalistas e evasivos.</p>
<p>No Brasil, a peça foi publicada pela editora Cosac Naify numa edição de luxo, com acabamento em capa-dura e vários extras, como fotografias das numerosas interpretações da peça e  diversos artigos que visam a dissecar os  significados da obra, oriundos de especialistas da área eprincipalmente, de Beckett. A tradução foi feita pelo professor de Teoria Literária da USP, Fábio de Souza Andrade, com apêndices que esclarecem pormenores do texto.</p>
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		<title>The Shield</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 16:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[drama policial]]></category>
		<category><![CDATA[fx]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Chiklis]]></category>
		<category><![CDATA[Shawn Ryan]]></category>

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		<description><![CDATA[
A corrupção das forças da Lei é um tema recorrente na mídia &#8211; inclusive na do entretenimento &#8211; a ponto de existir um rótulo próprio para acomodar filmes do gênero: o thriller policial. Em 2001, esse mesmo gênero experimentou o seu apogeu com o premiado Dia de Treinamento, que resultou no segundo Oscar de Melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/bscap0002.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4754" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/bscap0002.jpg" alt="The Shield Cover" width="480" height="352" /></a></p>
<p>A corrupção das forças da Lei é um tema recorrente na mídia &#8211; inclusive na do entretenimento &#8211; a ponto de existir um rótulo próprio para acomodar filmes do gênero: o <em>thriller</em><strong> </strong>policial. Em 2001, esse mesmo gênero experimentou o seu apogeu com o premiado <a href="http://www.imdb.com/title/tt0139654/" target="_blank">Dia de Treinamento</a>, que resultou no segundo <em>Oscar de Melhor Ator</em> para o seu protagonista, Denzel Washington.</p>
<p>Coincidentemente, ou não, no ano seguinte, o (até então)  inexpressivo  canal à cabo Fox FX estreou a sua primeira produção original, <em>The Shield</em>, que visa a documentar a vida dos policiais de um distrito policial na cidade de Los Angels, num ambiente de crescentes tensões sociais, jogos políticos e corrupção.</p>
<p>O programa gravita em torno de <strong> Vic Mackey</strong> (Michael Chiklis), tira durão que adota o ditado <em>escrever certo por linhas tortas</em> como mantra, e que  lidera uma &#8220;tropa de elite&#8221;, a <em>Strike Team</em>, que atua em casos de alta periculosidade, em frequente atrito com o chefe da delegacia, <strong>David Aceveda</strong> (Benito Martinez), que, ciente dos podres de Vic, tenta a todo custo derrubá-lo.<span id="more-4670"></span></p>
<div id="attachment_4756" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Aceveda-Mackey.jpg"><img class="size-medium wp-image-4756" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Aceveda-Mackey-300x230.jpg" alt="Aceveda e Mackey" width="300" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Aceveda e Mackey</p></div>
<p>A série também conta com uma gama de outros núcleos dramáticos que visam a retratar  os demais ângulos da força policial &#8211; desde a investigação de homicídios (o aspecto &#8220;procedural&#8221; do programa) ao casos de rua &#8211; oferecendo, assim, um retrato abrangente das diferentes atribuições da polícia e como elas se relacionam entre si.</p>
<p>Em produções do gênero, é de praxe que haja um certo maniqueísmo envolvido; personagens corruptos são &#8211; via de regra &#8211; retratados sob uma ótica &#8220;vilanesca&#8221;, contra-balanceados por indivíduos altruístas que se recusam a se conformar com a corrupção do sistema, legítmos salvaguardas da moralidade, resultando num dualismo que empalidece o tema por não compactuar com a realidade &#8211; que tende a ser bem mais complexa.</p>
<p><em>The Shield</em>, todavia, é um show calcado no realismo, onde cada personagem é construído sobre camadas de contradições e  hipocrisia,  com virtudes e defeitos que muitas vezes interajem entre si, trocando de papéis, denunciando o caminho pedegroso que o roteiro seguiu tomar &#8211; o da realidade &#8211; e oferecendo farto material para discussão e reflexão, haja vista que a série não se atém a temas tipicamente policiais, enveredando por outras matérias igualmente espinhosas .</p>
<p>Aceveda, por exemplo, é introduzido como a antítese de Mackey, um sujeito que acredita no sistema, nas noções de Igualdade e Justiça, e que se enoja pela subersividade de Vic para com o sistema; entretanto, ele se mostra mais do que disposto, em numerosas ocasiões, a fazer vista grossa perante as atitudes de Vic, quando isso lhe é conveniente, seja para farrancar de um pedófiloa localização de sua última vítima, seja para derrubar inimigos políticos que armaram para cima dele.</p>
<div id="attachment_4757" class="wp-caption aligncenter" style="width: 620px"><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Strike-Team.jpg"><img class="size-full wp-image-4757" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/09/Strike-Team.jpg" alt="O Strike Team" width="610" height="284" /></a><p class="wp-caption-text">O Strike Team</p></div>
<p>Em seu âmago, como bem explicou Alan Sepinwall no seu review para o <em>series finale</em>, <em>&#8220;o que policiais fazem com os seus distintivos &#8211; e o que nós podemos querer que eles façam,  independentemente se admitimos para nós mesmos ou não &#8211; sempre foi a questão fundamental de The Shield&#8221;. </em>O seriado se propõe a desafiar a moral do espectador, a pôr em xeque suas noções de certo e errado e a questioná-lo quanto a seus princípios.</p>
<p>Ao longo das suas sete temporadas &#8211; totalizando 88 episódios &#8211; nomes célebres marcaram presença em papéis recorrentes, como <strong>Forest Whitaker</strong> (Oscar de Melhor Ator por<em> O Último Rei da Escócia</em>), <strong>Anthony Anderson</strong> (protagonista de <em>K-Ville</em>, coadjuvante em filmes como <em>Os Infiltrados</em> e <em>Transformers</em>), <strong>Glenn Close</strong> (indicada cinco vezes ao Oscar, ganhadora de dois Emmys e dois Globos de Ouro) e <strong>Franka Potente</strong> (protagonista e co-protagonista dos aclamados <em>Corra, Lola, Corra e A Identidade</em> <em>Bourne</em>, respectivamente).</p>
<p>Em sua existência, o show foi indicado a nada menos que cinco Emmys, cinco TCAs Awards (<em>Television Critics Association</em>) e três Globos de Ouro, além de ter sido<em> sine qua non</em> para o estabelecimento da marca da emissora FX junto ao público, propiciando-lhe as condições necessárias para expandir seu escopo de ação.</p>
<p>É possível encontrar a série completa, em DVD, no Brasil, lançada pela Sony Pictures, em <em>widescreen</em> (em direto contraponto com os episódios disponíveis na rede, a imensa maioria em<em> fullscreen</em>), pelo salgadísismo preço médio de R$100,00 por temporada (acho que vou assaltar um trem armênio&#8230;).</p>
<p><em> </em></p>
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		<title>Breaking Bad</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 17:36:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[aaron paul]]></category>
		<category><![CDATA[amc]]></category>
		<category><![CDATA[Bryan Cranston]]></category>
		<category><![CDATA[drama]]></category>
		<category><![CDATA[química]]></category>
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		<description><![CDATA[
Química, tecnicamente, é o estudo da matéria, mas prefiro vê-la como o estudo da transformação [...] É crescimento, depois decomposição e, em seguida, transformação.
 Walter White (Bryan Cranston), vinte anos atrás, era um cientista renomado, agraciado com um Noble por suas contribuições para o estudo dos prótons; hoje,  um professor de química secundarista, loser, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking_bad_05.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4653" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking_bad_05.jpg" alt="breaking_bad_05" width="609" height="412" /></a></p>
<blockquote><p>Química, tecnicamente, é o estudo da matéria, mas prefiro vê-la como o estudo da transformação [...] É crescimento, depois decomposição e, em seguida, transformação<span style="font-size: x-small"><span style="font-size: xx-small">.</span></span></p></blockquote>
<p><strong> Walter White </strong>(Bryan Cranston), vinte anos atrás, era um cientista renomado, agraciado com um Noble por suas contribuições para o estudo dos prótons; hoje,  um professor de química secundarista, <em>loser</em>, impotente e patético, uma sombra pálida do seu próprio passado. Um bebê não-planejado está a caminho, seu filho mais velho sofre de paralisia cerebral e todos os seus amigos de outrora se tornaram milionários e com uma vida bem melhor que a dele.</p>
<p>Todavia, tal como na citação que começa este texto, depois da decomposição vem a <em>transformação</em>. Quando Walt descobre ter câncer terminal e apenas dois anos, no máximo, de vida, ele se compromete a usar o pouco tempo que lhe resta para  assegurar a maior quantia monetária possível para a sua família a fim de garantir a sobrevivência e prosperidade dos mesmos postumamente.</p>
<p>O que fazer para alcançar essa meta lhe vem à mente enquanto ele assiste a um noticiário reportando uma <em>blitz</em> num laboratório ilegal de metanfetamina, e se surpreende com os valores apreendidos. Não é o método mais seguro, embora certamente um dos mais rápidos, para enriquecer, mas Walt tem ciência de que, com o pouco tempo de vida que lhe resta, dificilmente terá que encarar as consequências a longo-prazo de suas ações.</p>
<div id="attachment_4655" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking-bad12.jpg"><img class="size-full wp-image-4655" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking-bad12.jpg" alt="Walt, Skyler e Walt Jr." width="500" height="330" /></a><p class="wp-caption-text">Walt, Skyler e Walt Jr.</p></div>
<p>Ao lado de um ex-estudante que ele viu escapar por pouco de uma batida da Narcóticos (Jesse Pinkman, interpretado por Aaron Paul), Walt comercializa seus dons químicos na produção e distribuição de metanfetamina, método rápido (mas não tão seguro) de se obter riqueza.<span id="more-4620"></span></p>
<p>O roteiro do programa zela pelo realismo da história, sem apelar para atalhos dramáticos em ordem de chegar o mais rápido possível a clímaxes baratos ou a tensões superficiais; em <span class="highlight">Breaking</span> Bad, cada situação é explorada com profundidade,  acarretando em ramificações reais e conseqüências palpáveis ; não existem saídas fáceis, não aqui.</p>
<p>O maior diferencial da série em relação a seus pares, contudo, é a forma quase obssessiva com a qual os roteiristas lidam com detalhes, com os <em>pormenores</em> da trama  que, via de regra, passam despercebidos em produções do gênero, mas que, aqui, são ungidos para o centro do palco, resultando num ritmo quase sempre sereno, em que os eventos se desenrolam sem pressa e coerentemente. É contemplativo sem ser monótono.</p>
<p>Por exemplo: logo no começo da temporada, Walt e Jesse cruzam caminhos com o traficante-mór local &#8211; apelidado Krazy-8 &#8211; pois Jesse se convence que pode convencê-lo a distribuir a droga que fazem, por ter sido &#8220;colega de trabalho&#8221; de um parente do mesmo; todavia, a situação se complica e, no fim das contas, acaba Krazy-8 acorrentado no porão da casa de Jesse, enquanto que seu primo morre. Num jogo de cara-e-coroa (<em>gag</em> que é retomadosposteriormente para simbolizar a interessante dinâmica que se forma entre eles), fica decidido que Jesse cuidará do cadáver e Walter de Krazy-8.</p>
<div id="attachment_4656" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking-bad-call-saul.jpg"><img class="size-full wp-image-4656" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/breaking-bad-call-saul.jpg" alt="Jesse, Walt e as intempéries da vida" width="400" height="281" /></a><p class="wp-caption-text">Jesse, Walt e as intempéries da vida</p></div>
<p>Normalmente, esse tipo de situação é solvida com rapidez; o cativo se liberta, ameça a vida do protagonista, que, em seguida, mata-o em legítima defesa, garantido, assim,<em> leverage</em> moral e recorfortando o espectador. Mas não em Breaking Bad. Ao invés disso, acompanhamos o dilema moral de Walter, sentimos a gravidade da situação, o quanto isso lhe aflige psicologicamente, e as ramificações que suas ações poderiam ter; afinal, mesmo ciente que qualquer proposta de paz é ilusória (o traficante certamente iria atrás de vingança, e acharia na família de Walter um alvo perfeito), isso não torna a ideia de matar um homem a sangue-frio nem um pouco mais fácil. Fora isso, há o fato do próprio Krazy-8 demonstrar um carisma invejável &#8211; empurrando o espectador ao mesmo dilema que o protagonista encara.</p>
<p>Resultado: uma <em>storyline</em> que, em outros shows, renderia um episódio &#8211; se muito &#8211; em Breaking Bad é estendida por três capítulos, abordada com sensibilidade, coragem e plausibilidade, a <em>marca</em> da série. E quando o clímax finalmente se impõe, é com a intensidade, com o impacto de uma <em>season-finale</em>, solidificando o <em>modus operandi</em> do programa em explorar minuciosamente cada situação e extrair o máximo de emoções e consequências delas.</p>
<div id="attachment_4658" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/bryan_cranston_-_breaking_bad_mitmvc_1.jpg"><img class="size-full wp-image-4658" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/bryan_cranston_-_breaking_bad_mitmvc_1.jpg" alt="Ossos do ofício." width="600" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">Ossos do ofício.</p></div>
<p><span>Breaking</span> Bad é uma produção do canal AMC (o mesmo de <em>Mad Men</em>), criada e produzida por Vince Gilligan, cujo trabalho mais notável até então foi ter roteirizado e dirigido numerosos episódios de Arquivo X. O primeiro ano da série &#8211; que, devido à greve dos roteiristas, teve apenas sete episódios &#8211; foi indicado a quatro Emmys, tendo vencido em duas categorias: melhor ator, para Bryan Cranston (o Hal em <em>Malcolm in the Middle</em>), e melhor direção de câmera, pelo piloto, além de três indicações ao WGA (<em>Writers Guild Association</em>), duas das quais  para melhor episódio, vencendo através do piloto.</p>
<p>O segundo ano da série premiou em Março e encerrou em Junho deste ano, dessa vez com uma temporada completa de treze episódios, superior à primeira sob todos os ângulos possíveis, assegurando mais cinco indicações aos Emmys (i.e Melhor a) drama, b) ator, c) ator coadjuvante, d) edição e e) fotografia)), duas ao WGA e três ao Saturn Awards., refletindo numa audiência 20% maior (mas que ainda é abaixo da casa dos dois milhões, ou seja, virtualmente desconhecida pelo grande público).</p>
<p>A primeira temporada foi lançada em DVD, no Brasil, pela Sony Pictures, consistindo de três DVDs, dotados de som 5.1, em inglês, e com quatro opções de legendas, podendo ser comprados <a title="aqui" href="http://click.shopping.uol.com.br/click-log?tipo=1&amp;id=18936789&amp;page=1&amp;pos=1&amp;fBhAsH=P0XQmxg%2FLxG8KubqFRHXNJ2U5zupTQZfnv6tRIc9Vt4%3D&amp;bur=A8XjE0Burj1TvCQVUsYwKj3aMF739mjx2qRQlBmjqzSOSPgl6XXv5C5AlW79lQVo%2BerWoTbbCqOl%2B7YhtEoqMRtLa6AQFqlEwxomHqu%2BAO4Butrkly%2B0JK5pOOa27zjZtw3R%2F%2FbIW5rBf8JvE5vAzHdUZuANLkDakJpM67CLxn9uFB4Ga4QByTnRmID145N800yyYriidMBSjhKdTKvPlDofMiR0i%2FVN3zq7XCY1BIXhiME%2FZhutpGoeITfyWEdbPRg3pGqPGBVmkuCETnP%2Fh%2FoQV8WkrvxdUPnbiqyTwBfxtdCK36UQxvQBvfCKCpm85woY0XowvMTl48IEwvCMMQ%3D%3D&amp;pagetp=1&amp;cel=1&amp;h=86ff244b4a6b7946d6ec769bb84719fe" target="_blank">aqui</a> ou <a title="aqui" href="http://click.shopping.uol.com.br/click-log?tipo=1&amp;id=18484467&amp;page=1&amp;pos=2&amp;fBhAsH=P0XQmxg%2FLxG8KubqFRHXNPWyryYjUFnQi9EYhB99vXc%3D&amp;bur=SIrvNgLwEzE9TQGn8aTAyhaEkp%2FYBgiLbSIMBO7FYiVj5eHkJ7siuKsvec0KlhZiT73shMSjA1Htgwng5QYoHUBtZvbRm9%2B4yLh01%2B0tgrI3qIRFJe410sVxsE1C6ihRpNCqr77OJbxUBzMfjm8PtMUvuwrEfahsASwktla5mANqK0e8x5AzotD0QRz5oZyisdmEOk%2FHcoKspFupSBqWJTE4CXT4%2FxNlPQuDI%2BAKoE5I%2FKRhIyRAKBxQroNoC3tACYtQYphrukoGywSvMagd6TQM1rh70hHty2Q%2BkYN0iKk%3D&amp;pagetp=1&amp;cel=1&amp;h=4fb5fc7a60bfe4c21bfb4e05d1b78f94" target="_blank">a</a><a title="aqui" href="http://click.shopping.uol.com.br/click-log?tipo=1&amp;id=18484467&amp;page=1&amp;pos=2&amp;fBhAsH=P0XQmxg%2FLxG8KubqFRHXNPWyryYjUFnQi9EYhB99vXc%3D&amp;bur=SIrvNgLwEzE9TQGn8aTAyhaEkp%2FYBgiLbSIMBO7FYiVj5eHkJ7siuKsvec0KlhZiT73shMSjA1Htgwng5QYoHUBtZvbRm9%2B4yLh01%2B0tgrI3qIRFJe410sVxsE1C6ihRpNCqr77OJbxUBzMfjm8PtMUvuwrEfahsASwktla5mANqK0e8x5AzotD0QRz5oZyisdmEOk%2FHcoKspFupSBqWJTE4CXT4%2FxNlPQuDI%2BAKoE5I%2FKRhIyRAKBxQroNoC3tACYtQYphrukoGywSvMagd6TQM1rh70hHty2Q%2BkYN0iKk%3D&amp;pagetp=1&amp;cel=1&amp;h=4fb5fc7a60bfe4c21bfb4e05d1b78f94" target="_blank">qui</a>, com um desconto bacana de R$20,00. Não há previsão, por enquanto, para a segunda temporada.</p>
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		<title>In Absentia</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 23:50:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Maitland]]></category>
		<category><![CDATA[fred west]]></category>
		<category><![CDATA[gavin harrinson]]></category>
		<category><![CDATA[porcupine tree]]></category>
		<category><![CDATA[steven wilson]]></category>

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		<description><![CDATA[Comente este artigo no Omega Geek.

There is a very thin line between an artist and a serial killer.
Desde The Sky Moves Sideways o grupo de rock Porcupine Tree vem se estabelecendo como um dos nomes mais promissores da música contemporânea. A cada release, a banda refinou seu som, aprimorou suas letras e viu seus integrantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://www.omegageek.com.br/forum/showthread.php?t=1144">Comente este artigo no Omega Geek</a>.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/075678360428.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4713" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/075678360428.jpg" alt="075678360428" width="450" height="450" /></a></p>
<blockquote><p>There is a very thin line between an artist and a serial killer.</p></blockquote>
<p>Desde <em>The Sky Moves Sideways</em> o grupo de rock <strong>Porcupine Tree</strong> vem se estabelecendo como um dos nomes mais promissores da música contemporânea. A cada <em>release</em>, a banda refinou seu som, aprimorou suas letras e viu seus integrantes se aperfeiçoarem enquanto músicos, o que se traduziu numa nova direção musical a partir de<em> Stupid Dream</em> (1999), em que o esmero técnico de seus compositores resultou num álbum com inegável apelo <em>pop</em>, porém tão complexo e rico em texturas musicais quanto seus trabalhos antecessores, apenas mais condensado e conciso -- inaugurando a chamada<em> segunda fase</em> da banda.</p>
<p>Todavia, o álbum que simboliza essa era não se trata nem do<em> Stupid Dream</em> nem do <em>Lightbulb Sun</em> (2000), e, sim, de <strong>In Absentia</strong> (2002), em que a maturidade musical conquistada pelo grupo se refletiu na incorporação definitiva de influências diversas que se manifestavam com timidez, mas que, hoje, são indissociáveis ao som da banda.</p>
<p><em>In Absentia</em> foi composto num período de mudanças: <strong>Chris Maitland</strong>, baterista do grupo desde o final de 1993, anunciara a sua saída da banda em Fevereiro de 2002, sendo reposto por Gavin Harrinson, a primeira troca de integrantes a ocorrer na história da banda; simultaneamente, o próprio grupo havia a pouco migrado para uma gravadora<em> major;</em> e<strong> Steven Wilson</strong>, líder/vocalista/guitarrista/pianista/etc da banda, reapaixonara-se pelo <em>heavy metal</em>, impulsionado pelo som de bandas como <strong>Opeth</strong> e <strong>Meshuggah</strong>, o que mudou drasticamente a sua forma de compor música.<span id="more-4693"></span></p>
<blockquote><p><em><strong>In absentia</strong></em> is <a title="Latin" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Latin">Latin</a> for &#8220;in the absence&#8221;. In legal use it usually pertains to a defendant&#8217;s right to be present in court proceedings in a criminal trial.</p></blockquote>
<p>Embora todos os álbuns do Porcupine Tree sejam marcados por uma certa coerência de temas -- <em>Stupid Dream</em>, por exemplo, é um álbum introspectivo a respeito de desilusões, tanto a um nível amoroso (&#8220;Shave Called Shiver&#8221;), quanto social (&#8220;Don&#8217;t Hate Me&#8221;) e político (&#8220;A Smart Kid&#8221;) -- <em>In Absentia</em> é o primeiro a ser genuinamente conceitual, em que as faixas são tematica e musicalmente conectadas -- nesse caso, a respeito do assassino em série <strong>Fred West</strong>.</p>
<p>Entre 1967 e 1987, West,  com o suporte de sua segunda esposa, <strong>Rosemary Letts, </strong>sequestrou, estuprou e matou cerca de dez garotas entre 15 e 30 anos, além de ter espancado até a morte duas de suas filhas do primeiro casamento e abusado sexualmente as do segundo; os restos mortais de suas vítimas foram encontrados enterrados no seu quintal. West suicidou-se na cadeia e Letts foi condenada à prisão perpétua.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/Fred_West_01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4714" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/08/Fred_West_01.jpg" alt="Fred_West_01" width="420" height="240" /></a></p>
<p>O tema é abordado de forma explícita em faixas como <em>Blackest Eyes</em> (a qual narra a infância e os primeiros passos de West como um assassino), <em>The Creator Has a Mastertape</em> (que detalha características de seus homicídios, como o hábito de guardar trófeus e o de amarrar suas vítimas) e <em>Strip the Soul</em> (em que a sua dinâmica familiar  -- assim como aspectos de sua personalidade perturbada -- é evidenciada), e sutilmente em <em>Trains</em> (sobre a sua infância, num ângulo nostálgico) e <em>Heartattack in a LayBy </em>(seu último vislumbre de sanidade, atordoado pelo peso de seus atos e pelo &#8220;fervor&#8221; que o faz seguir adiante).</p>
<p>The Sound of Muzak, a quarta faixa, é a única que foge à regra, tratando-se de um desabafo do próprio Wilson a respeito da direção que a indústria musical vem tomando. Seu nome alude à gravadora Muzak, que, em meados do século passado, monopolizou o mercado de &#8220;músicas de elevador&#8221;, sendo, desde então, usada como um termo pejorativo para classificar músicas simplórias e repetitivas.</p>
<p><!-- Smart Youtube --><span class="youtube"><object width="425" height="355"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1fqoZKyQhXc&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><embed wmode="transparent" src="http://www.youtube.com/v/1fqoZKyQhXc&amp;rel=1&amp;color1=d6d6d6&amp;color2=f0f0f0&amp;border=&amp;fs=1&amp;hl=en&amp;autoplay=&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;showsearch=0" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="355" ></embed><param name="wmode" value="transparent" /></object></span></p>
<p>Complementando as letras, o instrumental é um dos mais pesados na discografia da banda, flertando frequentemente com o <em>heavy metal</em>, dotado de melodias lascinantes e riffs intensos, porém ainda calcado no rock progressivo que sedimentou a fama do grupo em primeiro lugar, como em <em>Lips of Ashes</em>, em que o mellotron guia a melodia do começo ao fim, ou <em>Weding Nails</em>, que remete à grandiosidade técnica do Dream Theater à época do <em>Scenes From a Memory</em>, quando suas músicas instrumentais tinham uma ambição mais nobre do que a de satisfazer seus próprios egos.</p>
<p>Em suma, <strong>In Absentia</strong> é um dos melhores álbuns dessa década, representando uma banda no ápice de sua criatividade e a esbanjar talento, que transcende rótulos e se firma no âmago do ouvinte, provocando reações ambivalentes e plurais. Um trabalho fascinante e arrojado que promete ser considerado um clássico do seu tempo no futuro.</p>
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