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	<title>O Neuromancista</title>
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	<description>O blog no fim do Universo.</description>
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		<title>Os Três Estigmas de Palmer Eldritch (Philip K. Dick)</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 22:49:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Philip K. Dick, além de um dos melhores escritores que a ficção-científica já teve, foi um visionário, alguém capaz de antever muitas das chagas que assolariam o mundo contemporâneo. Suas obras ganham ressonância com o passar do tempo, pois os temas com os quais lidam se revelam cada vez mais caros a nós &#8211; como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/TheThreeStigmataOfPalmerEldritch1stEd.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4944" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/TheThreeStigmataOfPalmerEldritch1stEd.jpg" alt="" width="289" height="443" /></a> Philip K. Dick</strong>, além de um dos melhores escritores que a ficção-científica já teve, foi um visionário, alguém capaz de antever muitas das chagas que assolariam o mundo contemporâneo. Suas obras ganham ressonância com o passar do tempo, pois os temas com os quais lidam se revelam cada vez mais caros a nós &#8211; como é o caso deste <em><strong>Os Três Estigmas de Palmer Eldritch</strong></em>.</p>
<p>Num futuro não-tão-distante, a Terra se tornou um planeta semi-inóspito, afligido por um superaquecimento que tornou a sua habitação possível apenas em ambientes fechados e refrigerados (i.e <em>condaptos</em>), extinguiu boa parte da vida animal e tornou os pólos em <em>resorts</em> para os mais abastados.</p>
<p>A solução encontrada pela ONU &#8211; que emergiu como a força política mais apta para lidar com a situação, sobrepujando soberanias nacionais &#8211; para lidar com o contigente sem condições de arcar com <em>condaptos</em> apropriados foi conduzir exílios (forçados) para outros planetas do sistema solar, em que as condições de vida são tão ou mais degradantes.</p>
<p>Nesse contexto, a <strong>Ambientes P.I</strong> prospera. A empresa é especializada na fabricação de brinquedos que, aliados a uma droga alucinógena chamada <em>Can-D</em>, também produzida &#8211; clandestinamente, mas com autorização tática da ONU &#8211; por ela, permite aos seus usuários imergirem num mundo ilusório, fantástico e compartilhado.<span id="more-4914"></span></p>
<p>Os colonos, desesperados por um entretenimento escapista capaz de aliená-los da realidade insalubre em que se encontram, recebem-na entusiasmadamente, que lhes permite desfrutar uma vida de luxos e soberba numa Terra remota e há muito inexistente, suscitando uma devoção quase religiosa em torno da droga e a experiência que ela proporciona.</p>
<blockquote><p>Already Sam Regan could feel the power of the drug wearing off; he felt  weak and afraid and bitterly sickened at the realisation. So goddam  soon, he said to himself. All over; back to the hovel, to the pit in  which we twist and cringe like worms in a paper bag, huddled away from  the daylight. Pale and white and awful. He shuddered.</p></blockquote>
<p>Quando o industrialista, há muito dado como morto, Palmer Eldritch retorna de uma longa viagem sideral, ele traz consigo uma nova substância &#8211; nomeada <em>Chew-Z</em> &#8211; capaz de produzir um efeito ainda mais vívido e intenso que a <em>Can-D</em>, com os agravantes de ser desprovida de efeitos colaterais e sancionada pela própria ONU, incitando uma guerra industrial entre Leo Bulero (CEO da Ambientes P.I) e o excêntrico magnata.</p>
<p>Mas por trás desse aparente conflito de egos, jaz um embate muito mais profundo, através do qual Dick explora questões de ordem metafísica e teológica de forma hipnotizante, tornando inteligíveis para o leitor tópicos concernentes à filosofia e à ontologia, conduzindo a um questionamento da própria realidade (algo de praxe em suas obras).</p>
<p>Conforme o romance se desdobra, as fronteiras entre o real e o imaginário, o vivido e o alucinado, tornam-se mais e mais porosas, obrigando o leitor a encarar tudo que lê com ceticismo e, uma vez com nossas certezas debilitadas, Dick nos incita a refletir sobre livre-arbítrio, destino, a natureza do divino e da realidade, compartilhando conosco muitas de suas próprias aflições existenciais.</p>
<p>Embora publicado 45 anos atrás, <em><strong>Os Três Estigmas de Palmer Eldritch </strong></em>dá margem a diversas interpretações, sendo impossível, na conjuntura em que vivemos, não relacionaar às drogas recreativas e seus mundos de faz-de-conta compartilhados com a internet, a realidade virtual, reality shows&#8230;</p>
<p>As questões em voga na nossa sociedade tiveram suas raízes sociais e antropológicas percebidas e examinadas com bastante maturidade e perspicácia por Dick &#8211; que, não à toa, considera este livro o mais vital de sua carreira. No Brasil o título foi publicado pela Aleph, com tradução da competente Ludmila Hashimoto, bastante versada na literatura dickiniana.</p>
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		<title>Ubik (Philip K. Dick)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 05:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[aleph]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Lost]]></category>
		<category><![CDATA[metafísica]]></category>
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		<category><![CDATA[ubik]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrito em 1966 e publicado três anos depois, esta obra talvez figure entre as mais acessíveis do escritor Philip K. Dick. Suas divagações teológicas e existencialistas habituais ganham forma numa narrativa que privilegia o suspense, descrita pelo escritor e crítico literário Lev Grossman como uma história de horror profundamente inquietante, um pesadelo do qual você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/Ubik.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4956" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/Ubik.jpg" alt="" width="220" height="329" /></a>Escrito em 1966 e publicado três anos depois, esta obra talvez figure entre as mais acessíveis do escritor <strong>Philip K. Dick</strong>. Suas divagações teológicas e existencialistas habituais ganham forma numa narrativa que privilegia o suspense, descrita pelo escritor e crítico literário Lev Grossman como <em>uma história de horror profundamente inquietante, um pesadelo do qual você nunca terá certeza se acordou ou não</em>. Em 2005, foi eleito pela a revista <em>Times </em>como um dos cem melhores romances de língua inglesa publicados desde 1923.</p>
<p>No universo de <em><strong>Ubik</strong></em>, existem dois tipos de indivíduos extraordinários: aqueles dotados de poderes paranormais, como telepatas e precogs, cujos talentos são usados para fins de espionagem e sabotagem industrial; e os <em>inerciais</em>, que detectam e inibem tais talentos, contanto que correspondentes (i.e um anti-telepata só afeta as habilidades de um telepata, não de um precog), empregados pelas <em>organizações de prudência</em>, que oferecem segurança anti-psis aos seus clientes.</p>
<p>Nesse contexto, a Runciter &amp; Associados, a maior organização de prudência do ramo, é contratada por um rico magnata que afirma que seu empreendimento sigiloso na Lua foi infiltrado por inúmeros psíquicos -- o que explicaria o sumiço abrupto de muitos desses indivíduos em tempos recentes, impelindo Glen Runciter a reunir os melhores de sua equipe e a liderar ele mesmo a missão.</p>
<p>Tal missão, todavia, era uma armadilha. Runciter acaba morto, enquanto que seus onze subalternos sobrevivem. Doravante, o romance envereda pelo território da metafísica dickiniana: os sobreviventes passam a experimentar regressões temporais.</p>
<p>Objetos, construções, utensílios, vestiário, enfim, a realidade como um todo retrocede no tempo. Televisores se tornam rádios, aviões em biplanares, alimentos novos em produtos há muito estragados. E somente eles observam/experimentam tais fenômenos (os quais não ocorrem simultaneamente, nem mesmo entre eles).<span id="more-4939"></span></p>
<blockquote><p>Prior forms, he reflected, must carry on an invisible, residual life in  every object. The past is latent, is submerged, but still there, capable  of rising to the surface once the later imprinting unfortunately -- and  against ordinary experience -- vanishes. The man contains -- not the boy --  but earlier men, he thought. History began a long time ago.</p></blockquote>
<p>Esta regressão cessa na década de 30, não sem antesalgumas fatalidades: o fluxo retrocedente do tempo também aparenta consumir/afetar os sobreviventes, a uns mais rápidos do que a outros, mas com o mesmo desfecho: óbito. Os cadáveres se apresentam sempre em avançados estágios de decomposição, como se os indivíduos há muito tivessem falecido. Porém, indo de encontro a essa força, está&#8230; Glen Runciter, comunicando-se dos mortos.</p>
<p>Os profundas questionamentos de <strong>Philip K. Dick</strong> sobre a natureza a realidade são, aqui, manifestados de forma palpável para os personagens, adquirindo uma função narrativa e um protagonismo dentro da história (similar, <em>e.g</em>, ao papel que a ilha exerce em <em>Lost)</em>. Os personagens -- e, por tabela, o leitor -- veem-se num vaivém entre realidades díspares, uma justaposição metafísica que realça a fragilidade na concepção de realidade tal como Dick a entendia.</p>
<p>Ubik, a palavra, deriva do grego <em>ubiquitous</em>, que significa onipresente. No romance cada capítulo abre com o anúncio publicitário de um produto dessarte nomeado, desde produtos de limpeza a itens alimentícios. A razão disso, assim como a finalidade e natureza desses &#8220;ubiks&#8221;, só é elucidada nos capítulos finais. Até lá, entretanto, é impossível resistir à tentação de tentar decifrar essas incógnitas por nós mesmos, incorporando-as à experiência de leitura.</p>
<p>Encerro a resenha ao som da banda de rock instrumental <strong>Secret Chiefs 3</strong>, cujo subgrupo <em>The Electromagnetic Azoth</em> homenagenou a obra no single<em> UBIK</em>, lançado em 2007.</p>
<p style="text-align: center"><span class="youtube">
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		<title>L&#8217;homme sans tête</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 22:02:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[curta-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[distopia]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Solanas]]></category>
		<category><![CDATA[L'homme sans tête]]></category>

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		<description><![CDATA[A ficção-científica -- em grande parte devido ao êxito mercadológico de Star Wars - é geralmente associada a grandiosas batalhas espaciais, viagens temporais e aventuras siderais, mas se trata de uma generalização falha por neglicenciar o aspecto humano e a critica social subjacente às histórias que caracterizam as melhores produções do gênero, que nada têm [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/Lhomme-Sans-Tête-Juan-Solanas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4927" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/Lhomme-Sans-Tête-Juan-Solanas.jpg" alt="" width="411" height="580" /></a></p>
<p>A ficção-científica -- em grande parte devido ao êxito mercadológico de <em><strong>Star Wars</strong></em> -<em><strong> </strong></em> é geralmente associada a grandiosas batalhas espaciais, viagens temporais e aventuras siderais, mas se trata de uma generalização falha por neglicenciar o aspecto humano e a critica social subjacente às histórias que caracterizam as melhores produções do gênero, que nada têm de escapistas.</p>
<p>Ghost in the Shell (&#8220;O Fantasma do Futuro&#8221;, no Brasil), a trilogia do Sprawl, os livros de Philip K. Dick e os filmes de Terry Gilliam são exemplos cabais. Neles a ambientação futurista funciona como pretexto para uma abordagem social e crítica; os adornos tecnológicos, artifícios narrativos que visam a realçar certos aspectos ou facilitar a abordagem de certos temas.<span id="more-4915"></span></p>
<p>O argentino <strong>Juan Solanas</strong>, pelo visto, concorda comigo. O seu último curta-metragem, L&#8217;homme sans tête (<em>O homem sem cabeça</em>), é uma pérola sci-fi, extraordinária e surrealista, situada num cenário distópico não nomeado. Um rapaz, jovem e inseguro, marca um encontro com uma moça com quem ele vinha trocando correspondências amorosas há certo tempo, mas quem nunca conheceu. Mas há um problema. Ele não tem (e nunca teve) uma cabeça, e o temor da rejeição o impele a <em>comprar</em> uma. Após um laborioso trabalho de seleção, ele enfim escolhe uma cabeça que o agrada, porém&#8230;</p>
<p>Bem, se uma imagem vale mais que mil palavras, então um vídeo ou dois  devem valer mais que um googol delas.</p>
<p style="text-align: center"><span class="youtube">
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<p style="text-align: center"><span class="youtube">
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<p>P.S: o áudio está em francês e as legendas em espanhol, mas é plenamente compreensível.</p>
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		<title>O Complexo de Portnoy (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 11:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[homem comum]]></category>
		<category><![CDATA[indignação]]></category>
		<category><![CDATA[judaísmo]]></category>
		<category><![CDATA[philip roth]]></category>
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		<description><![CDATA[O Complexo de Portnoy foi a minha terceira incursão na bibliografia de Roth, a primeira num dos seus romances celebrados (tanto Indignação quanto Homem Comum são títulos menores, coadjuvantes na sua bibliografia), e, sem dúvida, a melhor. Neste romance &#8211; que lançou o autor à fama literária &#8211; o leitor assume a perspectiva do interlocutor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong> <a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/PORTNOY.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4908" title="PORTNOY" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/07/PORTNOY.jpg" alt="" width="316" height="484" /></a> O Complexo de Portnoy</strong></em> foi a minha terceira incursão na bibliografia de Roth, a primeira num dos seus romances celebrados (tanto<em><strong> Indignação</strong></em> quanto <em><strong><a href="../2009/11/28/homem-comum-philip-roth/" target="_blank">Homem Comum</a></strong></em> são títulos menores, coadjuvantes na sua bibliografia), e, sem dúvida, a melhor. Neste romance &#8211; que lançou o autor à fama literária &#8211; o leitor  assume a perspectiva do interlocutor, o psiquiatra de Alexander Portnoy, que, no divã, descreve os momentos mais marcantes da sua vida, transitando  entre situações de sua infância, adolescência e vida adulta, expondo  seus traumas e descortinando as causas de suas neuroses.</p>
<p>Mas, você deve estar se perguntando, quem é Alexander Portnoy?</p>
<p>Alexander Portnoy foi um estudante exemplar, de inteligência ímpar e obediência familiar invejável, que se tornou um cidadão honorável, um intelectual bem versado e um político que luta por causas nobres, embuído de renome e status. No entanto, a despeito de tudo isso, ele leva uma vida miserável, refém de emoções como culpa, aflição e frustração. A razão de ser disso é revelada ao leitor antes da própria introdução ao personagem:<span id="more-4893"></span></p>
<blockquote><p>Complexo de Portnoy (pórt-noi) <em>subs.</em> [de Alexander Portnoy (1933- )] Quadro mórbido caracterizado por fortes im­­pulsos éticos e  altruísticos em constante conflito com anseios sexuais extremos, muitas  vezes de natureza pervertida [...] Atos de exibicionismo, voyeurismo, feitichismo, auto-erotismo e coito oral são abundantes; em consequência da &#8216;moralidade&#8217; do paciente, porém, nem as fantasias nem o ato geram gratificação sexual genuína, mas sim sentimentos avassaladores de vergonha e temor de punição, em particular sob a forma de castração.</p></blockquote>
<p>Portnoy é alguém que desde pequeno carrega o fardo de ser o depositório de todas as expectativas da família, que nele veem a possibilidade de concretização do sucesso e prosperidade que falharam em experimentar, oprimido, de um lado, por uma mãe judaica ao mesmo tempo afável e tenebrosa (um incidente em particular, no qual ela o ameaça <em>com uma faca</em>, é mencionado sucessivas vezes), do outro, por uma cultura que o aliena do mundo em que reside, restringindo-o e sufocando (convergindo numa anedota de incrível humor-negro, envolvendo um suicida e sua carta de despedida).</p>
<p>A despeito de tudo isso, Roth não retrata Portnoy como um mero pobre coitado, imputando-o de nuances &#8211; tanto positivas quanto negativas &#8211; que o humanizam. Embora admitidamente despreze a sua cultura, ele não consegue deixar de se  achar<em> superior<em> </em></em>por conta dela, o que se manifesta em particular nos seus relacionamentos (vide comentário abaixo):</p>
<blockquote><p><em>Not to  mention &#8220;dear&#8221; as it the salutation of a letter: d-e-r-e. Or d-e-i-r.  And that very first time (this I love) d-i-r. On the evening we are  scheduled for dinner at Gracie Mansion&#8211;D!I!R! I mean, I just have to  ask myself&#8211;what am I doing having an affair with a woman nearly thirty  years of age who thinks you spell &#8220;dear&#8221; with three letters! </em></p></blockquote>
<p>Seu comportamento também é ora sexista, ora insensível, ora violento (ele tenta <strong>estuprar</strong> uma moça em dado momento). A narrativa culmina numa viagem à Israel, em que todas suas contradições e hipocrisia são expostas à escaldante luz do Sol por uma jovem e engajada militante judia, que o vê de forma clara e lúcida, além de seu humor auto-depreciativo e pretensa intelectualidade.</p>
<blockquote><p><em>Bullshit!  Commisioner of Cunt, that&#8217;s who you are! Commissioner of Human  Opportunists! Oh, you jerk-off artist! You case of arrested  development!&#8230; what&#8217;s good, you accomplished all on your own! You  ignoramus! You icebox heart! Why are you chained to a toilet? I&#8217;ll tell  you why: poetic justice! So you can pull your peter till the end of  time! Jerk your precious little dum-dum ad infinitum! Go ahead, pull  off, Commissioner, that&#8217;s all you ever really gave your heart to  anyway&#8211;you stinking putz!</em></p></blockquote>
<p>Todavia, a despeito de todos os seus defeitos, é impossível não simpatizar com o personagem &#8211; em parte graças à engenhosa construção da narrativa, composta por momentos mnemônicos não-lineares que gradativamente formam um todo coeso, em parte graças à fabulosa prosa de Roth, cômica e vibrante, que nos persuade a tentar compreendê-lo e aturá-lo &#8211; no processo nos fazendo perceber que muitos dos complexos de Portnoy também são nossos. Que jogue a primeira pedra quem nunca se sentiu fora de sintonia com os valores da família, ou pressionado pelos pais, ou frustrado com sua vida amorosa.</p>
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		<title>Alcest</title>
		<link>http://omegageek.com.br/oneuromancista/2010/06/20/alcest/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Jun 2010 22:28:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<category><![CDATA[post-rock]]></category>
		<category><![CDATA[shoegaze]]></category>

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		<description><![CDATA[Alcest é um daqueles raros casos de reinvenções bem-sucedidas. A banda começou como um projeto solo de Stéphane Paut, a.k.a Neige, que evoluiu para um trio com as inclusões de Arguth (baixo) e Hegnor (guitarra), ambos velhos conhecidos do Neige da época do Peste Noire, na qual ele tocou baixo por quatro anos. Com essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/06/alcest.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4895" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2010/06/alcest-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a> Alcest</strong> é um daqueles raros casos de reinvenções bem-sucedidas. A  banda começou como um projeto solo de Stéphane Paut, a.k.a Neige, que  evoluiu para um trio com as inclusões de Arguth (baixo) e Hegnor (guitarra), ambos velhos conhecidos do Neige da época do <strong>Peste Noire</strong>,  na qual ele tocou baixo por quatro anos.</p>
<p>Com essa formação, lançaram um EP (<em>Tristesse Hivernale</em>),  caracterizado pela produção crua e pelo som brutal, características típicas da cena <em>black  metal</em> francesa. Logo em seguida, contudo, a banda voltou a ser um  projeto solo do Neige, que optou por drasticamente reformular o seu som.</p>
<p>Quatro anos depois do malfadado EP, Alcest lança   <em>Le Secret</em>, consistindo de duas faixas antagônicas: a  homônima, com um clima relaxante, uma ambientação nostálgica e vocais  que lembram um pouco os de Jónsi, do Sigur Rós; e <em>Elevation</em>, que  não se acharia deslocada num álbum tradicional de black metal.<span id="more-4894"></span></p>
<p>Então, dois anos depois, a banda-de-um-homem-só presenteou a Humanidade  com <em>Souvenirs d&#8217;un autre monde</em>, que revisita a paisagem sonora flertada em <em>Le  Secret</em>, expandindo-a em seis faixas de 41 minuto. O álbum,  inspirado pelas experiências oníricas de Neige na infância, conjura imagens nostálgicas e bucólicas, remetendo tanto ao  shoegaze de <strong>Jesu</strong> quanto ao  post-rock de <strong>Sigur Rós.</strong></p>
<p>O segundo LP da &#8220;banda&#8221; -- <em>Écailles de lune</em> -, lançado ainda  neste ano,  marcou o retorno dos vocais guturais do Neige, ausentes  desde o  segundo EP, mas preservando a nova identidade musical da banda.</p>
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		<title>Batman: O Longo Dia das Bruxas</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Dec 2009 20:36:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Longo Dia das Bruxas, maxissérie escrita por Jeph Loeb e desenhada por Tim Sale, dois pesos-pesados da indústria dos quadrinhos, é uma das histórias mais importagens no universo do Homem-Morcego, responsável por definir o canon da transição de Harvey Dent no vilão Duas-Caras, além de certos elementos de sua premissa terem inspirado os irmãos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/12/Longo-Hallo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4869" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/12/Longo-Hallo.jpg" alt="Longo Hallo" width="375" height="495" /></a>O Longo Dia das Bruxas</strong>, maxissérie escrita por Jeph Loeb e desenhada por Tim Sale, dois pesos-pesados da indústria dos quadrinhos, é uma das histórias mais importagens no universo do Homem-Morcego, responsável por definir o <em>canon</em> da transição de Harvey Dent no vilão Duas-Caras, além de certos elementos de sua premissa terem inspirado os irmãos Nolan em <em>O Cavaleiro das Trevas</em> &#8211; a ponto dos dois escreverem um prefácio para um encadernado de luxo da história.</p>
<p>A ambientação é o que chama logo a atenção e é, sem dúvida, o grande destaque da obra:  Sale veste Gotham com uma roupagem noir, fazendo bom uso de sombras e de uma paleta de cores rica em contrastes,  enquanto Loeb pinta um competente retrato da máfia local, claramente inspirado no trabalho de cineastas como Coppola e Scorcese, que encontra-se acuada pela onda crescente de super-vilões a assolarem a cidade desde o surgimento do Cavaleiro das Trevas &#8211; um dos temas emprestados pelos Nolan para seus filmes.</p>
<p>Infelizmente, contudo, Loeb não abre mão do recurso do &#8220;<em>whodunit?</em>&#8220;, elemento onipresente em sua carreira. Aqui, o mistério gira em torno de um assassino conhecido como Feriado, que, como o próprio nome já denúncia, ataca apenas em feriados, sempre mirando em membros da família de mafiosos que controlam submundo de Gotham.<span id="more-4866"></span></p>
<p>A questão é bem conduzida até o final, quando Loeb, na necessidade de chocar o leitor, vacila feio na revelação da identidade(s) do personagem, cuja alegada ambiguidade é uma mera desculpa para justificar os muitos furos que se evidenciam numa análise mais atenta.</p>
<p>Na edição definitiva publicado por aqui pela Panini &#8211; cujo tratamento arrojado a editora só viria a reproduzir com <em>Watchmen</em> &#8211; há, entre os extras, o esboço do roteiro original escrito por Loeb que passou por acentuadas mudanças, a principal deles pertinente ao tal do Feriado: originalmente, ele seria o assassino conhecido como Calendário, um obscuro nome da galeria de vilões do Batman. Na versão final do roteiro ele foi rebaixado a um coadjuvante a quem o morcegão busca assistência para lidar com o Feriado.</p>
<p>No frigir dos ovos, trata-se de uma história com méritos óbvios e inegáveis &#8211; tal como ser a pioneira em retratar Dent como um promotor cada vez mais amargurado com um sistema corrupto e ineficiente &#8211; mas que se mostra frustrantemente insatisfatória no fim. Sua relevância história é inegável, mas eu não a poria de jeito algum no <em>roll</em> das melhores histórias protagonizados pelo Cavaleiro de Gotham. E tampouco pagaria os R$95 cobrados por ela.</p>
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		<title>Homem Comum (Philip Roth)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 02:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Philip Milton Roth é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (A Estrada) e Thomas Pynchon, ganhador de dois National Book Awards (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois National Book Critics Circle Awards e um Pulitzer &#8211; fora incontáveis outros prêmios. Entre diversos trabalhos do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4855" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/homem-comum.jpg" alt="homem-comum" width="300" height="461" /></a> Philip Milton Roth</strong> é considerado um dos últimos &#8220;titãs&#8221; da literatura norte-americana, lado a lado com nomes como Cormac McCarthy (<a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/2009/11/08/a-estrada/" target="_blank">A Estrada</a>) e Thomas Pynchon, ganhador de dois <em>National Book Awards</em> (o equivalente literário norte-americano ao Oscar), dois <em>National Book Critics Circle Awards</em> e um <em>Pulitzer</em> &#8211; fora incontáveis outros prêmios.</p>
<p>Entre diversos trabalhos do autor vistos como obras-primas, meu primeiro contato com a ficção de Roth se deu por meio de um dos seus romances &#8220;menores&#8221;, de publicação recente: Homem Comum (ou <em>Everyman</em>, no original), alusão a um poema medieval datado do século quinze, de autoria desconhecida.</p>
<p>O romance se inicia de maneira intrigante, partindo pelo <em>fim</em> da narrativa: o enterro do protagonista (cujo nome nunca ficamos a par), acompanhado pelo discurso de uma gama de personagens que o leitor virá a se familiarizar com o passar do tempo, cada  um dotado de sua própria visão do falecido: seja de incompreensão (seu irmão, Howie), de estima (sua filha, Nancy), de amor (sua segunda ex-esposa, Phoebe) ou de raiva (seus dois filhos do primeiro casamento).</p>
<p>A narrativa, então, retrocede no tempo para a infância do sujeito e segue, a partir dai, mais ou menos linearmente. Assistimos ao apogeu profissional e emocional do personagem e a seu subsequente declínio, numa narrativa que nunca falha em remeter ao seu tema principal: a Morte, e como nós a encaramos e nos relacionamos com ela, sintetizado pelo Homem Comum, cujas virtudes, defeitos, vícios e ideais encontram ressonância em cada um de nós em menor ou maior grau.<span id="more-4851"></span></p>
<p>O primeiro contato que Ele tem com a Morte é na sua tenra infância, quando um cadáver aparece na praia que ele e a família costumavam frequenter; eles se reencontram pouco tempo depois, na forma de um companheiro hospitalar, um garoto tal como ele, cuja existência se mostrou breve demais.</p>
<blockquote><p>De início, não adormeceu porque ficou esperando que o outro menino morresse, e depois porque não conseguia parar de pensar no corpo do afogado que o mar tinha largado na praia no último verão.</p></blockquote>
<p>Anos depois, no auge da sua vida adulta &#8211; publicitário bem-sucedido, garanhão e saudável &#8211; esse tipo de pensamento ainda o atormenta.  A mortalidade se tornou um estigma que ele passou a carregar, onipresente, pairando sobre todos os aspectos da sua vida.  <em>Por que se imaginava próximo da extinção quando um raciocínio tranquilo e objetivo lhe dizia que ainda tinha muita vida sólida pela frente?</em>, indaga Roth. Ironicamente, é a partir desse ponto que a sua saúde se deteriora a passos largos, exigindo intervenções médicas recorrentes.</p>
<p>Quando o Sujeito chega à reta final da sua vida &#8211; e o livro, por tabela, ao seu fim &#8211; ele se vê solitário, combalido e isolado da sua família, jazendo amargamente num retiro para velhos, tendo como único passatempo a pintura, atividade essa que não tarda a perder seu encanto.</p>
<p>Suas tentativas em remediar essa situação são inexoravelmente frustadas: as moças com quem ele flerta não lhe dão atenção, seus poucos amigos estão ou mortos, ou em vias para tanto, e ele não é bem-recebido em nenhuma das duas famílias que ele ajudou a construir, exceptuando-se pela sua filha mais nova, que nutre por ele um carinho admitidamente injustificado.</p>
<blockquote><p>Havia cortado suas raízes justamente no momento em que a idade exigia que ele estivesse tão arraigado quanto no tempo em que dirigia o departamento de criação da agência publicitária. Ele sempre se sentira revigorado pela estabilidade, nunca pela imobilidade. E sua vida atual era pura estagnação. Agora lhe faltavam todas as formas de alívio, vivia uma esterilidade disfarçada de consolo, e  não era possível voltar atrás.</p></blockquote>
<p>Trata-se, em suma, de um romance bastante sombrio que registra os piores aspectos do envelhecimento &#8211; a fragilidade,  o isolamento, a impotência &#8211; na figura de um indivíduo cuja vida foi marcada pelo temor do produto final da soma desses fatores e que vem a constatar, muito para a sua infelicidade, que simplesmente seguiu a estrada errada na vida.</p>
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		<title>Lasse Hoile</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 22:08:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Artista, fotógrafo, designer gráfico e cineasta, Hoile é reconhecido pelo seu estilo ao mesmo tempo vintage e moderno, assim como pela intensidade emocional que imprime aos seus trabalhos, os quais muitas vezes retratam situações de melancolia, solidão e/ou desamparo, dotados de subtextos críticos que remetem à sua própria visão de mundo. Hoile é um colaborador [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/07/800px-lasse_in_stockholm_.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4586" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/07/800px-lasse_in_stockholm_-300x207.jpg" alt="800px-lasse_in_stockholm_" width="300" height="207" /></a> Artista, fotógrafo, designer gráfico e cineasta, Hoile é reconhecido pelo seu estilo ao mesmo tempo <em>vintage</em> e moderno, assim como pela intensidade emocional que imprime aos seus trabalhos, os quais muitas vezes retratam situações de melancolia, solidão e/ou desamparo, dotados de subtextos críticos que remetem à sua própria visão de mundo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Hoile é um colaborador frequente de Steven Wilson, incumbido de todas as capas e artes internas da banda de rock progressivo Porcupine Tree, um dos vários projetos musicais de Wilson, desde o <em>In Absentia</em> e responsável por dirigir o primeiro registro ao vivo do grupo para o DVD <em>Arriving Somewhere&#8230;</em> Ele também dirigiu os videoclipes para <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=efsm6aJPybg" target="_blank">Fear of a Blank Planet</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=4bI7_vPw8Ik" target="_blank">Normal</a> e <a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;videoid=62284927" target="_blank">Time Flies</a> (clique nos links para assisti-los)</p>
<p>Lasse contribuiu ostensivamente para o primeiro trabalho-solo de Wilson, tendo dirigido o videoclipe para <em>Harmony Korine</em>, provido todo o <em>artwork</em> interno para o livro de 120 páginas que acompanha a edição de luxo do CD e ainda filmado o documentário tematicamente ligado ao álbum, a ser lançado no segundo semestre.</p>
<p>Ele também emprestou seu talento para o grupo de death metal progressivo <em>Opeth</em> ao dirigir um par de vídeos musicais para as canções <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=mfT1A5Caq84" target="_blank">Porcelain Heart</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;hl=pt&amp;v=4UQCqvkWdAs" target="_blank">Burden</a>.</p>
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		<title>A Estrada</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 16:35:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O fim do mundo é um tema que sempre nos fascinou, sendo uma presença recorrente no nosso imaginário desde tempos remotos, manifestando-se  tanto na religião quanto nas Artes. As causas se moldam conforme o contexto da época: na Idade Média teve um caráter religioso, justificando-se por meio do Apocalipse; em tempos modernos, em particular durante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4829" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroad.jpg" alt="theroad" width="300" height="485" /></a>O fim do mundo é um tema que sempre nos fascinou, sendo uma presença recorrente no nosso imaginário desde tempos remotos, manifestando-se  tanto na religião quanto nas Artes. As causas se moldam conforme o contexto da época: na Idade Média teve um caráter religioso, justificando-se por meio do <em>Apocalipse; </em>em tempos modernos, em particular durante meados do século XX,<em> </em>passou a ser uma hecatombe nuclear; e, em tempos contemporâneos, na destruição irreparável do meio-ambiente.</p>
<p>Em vista disso, explorar referido tema de forma original e interessante representa um desafio enorme, visto que o mesmo já foi trabalhado de incontáveis maneiras no decurso da história -- é necessário, portanto, um artista com bastante desenvoltura e, acima de tudo, talento.</p>
<p>E McCarthy tem talento para dar e vender.</p>
<p>Em <em><strong>A Estrada</strong></em> (Alfaguara, 234 páginas; R$ 36,90), acompanhamos as travessias de um pai e seu menino -- identificados exatamente dessa forma pelo autor -- numa América pós-apocalíptica, vítima de uma catástrofe que -- a fim de conferir um caráter atemporal à história -  nunca é especificada. Agarrando-se a um último fiapo de esperança, eles cruzam os Estados Unidos em direção ao mar, na esperança de encontrarem algum conforto, seguindo pela estrada do título.<span id="more-4821"></span></p>
<p>Naturalmente, no decorrer da narrativa, o Pai e o Menino cruzam caminhos com outros sobreviventes, embora em termos, via de regra, pouco amistosos. O colapso da sociedade impeliu os poucos sobreviventes a regressarem a um estado neolítico, vivendo em tribos e caçando em bandos -- geralmente, seres da própria espécie. O canibalismo, em virtude da escassez de comida, tornou-se uma necessidade.</p>
<p>Há exceções, evidentemente; duas deles sendo o  par de protagonistas: o menino, por estar sempre sob os cuidados do Pai, ainda retém certa inocência; e o dito cujo, que cultiva a humanidade que ainda lhe resta em prol do filho, perserverando contra todas as adversidades -- doença, fome, cansaço -- para resguardá-lo.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4833" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/11/theroadfirstphoto.jpg" alt="theroadfirstphoto" width="500" height="335" /></a></p>
<p>É importante frisar que este romance não se trata de uma<em> aventura</em>, mas, sim, de uma <strong>jornada</strong>: a ênfase é no cotidiano dos personagens e todas as dificuldades atreladas a ela. McCarthy foi, neste ponto, extremamente minucioso, explorando todas os empecilhos e problemas que dois indivíduos nessa situação possivelmente teriam que lidar, como a busca por alimento, abrigo, roupas etc. Quase um manual de sobrevivência. Embora momentos mais frenéticos existam, eles são pontuais, dispersos ao longo da narrativa.</p>
<p>A linguagem concisa, seca e direta de McCarthy encontra, aqui, o seu par temático perfeito. As descrições das paisagens naturais -- cinzentas e mortas -- e do tecido urbano -- necrosado e pútrido -- incitam no leitor um desconforto perene, um senso gradativamente maior de opressão -- como se esses cenários estivessem se construíndo ao seu redor, propiciando acesso à própria aflição dos personagens.</p>
<p>O romance foi reconhecido como uma obra-prima contemporânea, a ponto de ser definido, pela crítica, como a Obra Definitiva na literatura pós-apocalíptica. Em 2007 venceu o <em>Pulitzer Prize for Fiction</em>. O livro também foi um dos finalistas do <em>National Book Awards </em>em 2006.</p>
<p>Uma adaptação cinematográfica, dirigida por John Hillcoat (do cult <em>A Proposta</em>) e estrelado por Viggo Mortensen (Pai) e pelo desconhecido Kodi Smit-McPhee (Menino), estreará em Novembro deste ano, e é vista como uma concorrente de peso para os óscares; no Brasil, apenas em 2010.</p>
<p style="text-align: center"><span class="youtube">
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		<title>Whiteout</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Oct 2009 00:40:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Regente</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estação Mcmurdo, Mactown. MacLamaçal. Ganhou esse nome por causa do Estreito de McMurdo, que, por sua vez, foi batizado em homenagem ao Tenente Archibald McMurdo, do HMS Terror, em 1841. [...] A Antárctida tem aproximadamente 14.2 quilômetros quadrados, sem contar as ilhas [...] Rocha coberta com 30 milhões de km³ de gelo. Este é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/whiteout00.JPG"><img class="aligncenter size-full wp-image-4806" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/whiteout00.JPG" alt="whiteout00" width="650" height="600" /></a></p>
<blockquote><p>Estação Mcmurdo, Mactown. <strong>MacLamaçal</strong>. Ganhou esse nome por causa do Estreito de McMurdo, que, por sua vez, foi batizado em homenagem ao Tenente Archibald McMurdo, do HMS Terror, em 1841.</p>
<p>[...]</p>
<p>A Antárctida tem aproximadamente 14.2 quilômetros quadrados, sem contar as ilhas [...] Rocha coberta com 30 milhões de km³ de gelo. Este é o continente mais elevado, com média de 2.320 metros acima do nível do mar.</p>
<p>[...]</p>
<p>A temperatura mais baixa já registrada na Terra foi marcada pelos russos na Estação Vostok [...] 89,6ºC negativos, em 21 de Julho de 1983. Frio desse tipo mata. O vapor da água nos pulmões congela instantaneamente, estoura as células&#8230; como se você estivesse explodindo por dentro.</p></blockquote>
<p>Carrie Stetko é uma agente federal americana exilada numa inóspita base na Antárctica em virtude um erro que cometeu no passado. A personagem é uma típica <em>badass</em>: boca suja, impulsiva, audaciosa &#8211; como as figuras femininas nas séries de Joss Whedon, ou a Sarah Connor do segundo <em>Exterminador do Futuro</em> -, do gênero poucos amigos.</p>
<p>Em <em>Morte no Gelo</em> acompanhamos a agente enquanto ela investiga um homicídio ocorrido às vésperas do rigoroso inverso antárctico, época na qual mais de 90% do<em> staff </em>operacional é mandado de volta para casa. A trama gradualmente se complica, com um rastro crescente de vítimas e um  interesse incomum da inteligência inglesa pelo caso.</p>
<p>Em <em>Ponto de Fusão</em>, um ataque acobertado a uma base russa gera inquietações no governo americano, o qual acredita que a base servia como depósito para armas nucleares e biológicas. A agente Stentko é convencida a investigar o caso mediante a promessa de uma transferência para fora do contigente gelado, uma vez o caso encerrado.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/dest_v1_002.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4809" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/dest_v1_002.jpg" alt="dest_v1_002" width="550" height="335" /></a><span id="more-4793"></span></p>
<p>Ambas as HQs foram escritas por <strong>Greg Rucka</strong>, nome estabelecido dentro dos quadrinhos <em>underground</em>, que demonstrar um ótimo <em>feeling</em> para o suspense, construíndo gradativamente a tensão a partir de uma simples premissa que se complica aos poucos, mas jamais se perdendo ou rodando em círculos, encaixando organicamente à narrativa momentos mais introspectivos, intercalados com a ação; além disso, seu zelo histórico é notável, manifestando-se por meio de curiosidades divulgadas ao longo da narrativa &#8211; algumas  ilustrando a introdução deste texto &#8211; que têm, como fim, imprimir uma credibilidade maior à história.</p>
<p><a href="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/20090929-Whiteout-nao-atirem.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4810" src="http://omegageek.com.br/oneuromancista/files/2009/10/20090929-Whiteout-nao-atirem-300x221.jpg" alt="miolo_WHITEOUT_02_OK:WHITEOUT.qxd" width="300" height="221" /></a><strong>Steve Lieber</strong> as ilustrou. Seu traço é sóbrio e diversificado, capaz de transitar com facilidade entre painéis mais ricos em detalhes e outros minimalistas em sua essência, incorporando variadas técnicas de desenho, de pincel e acabamento a fim de representar, com a maior fidelidade possível, as várias facetas que o gelo assume nos círculos polares. Seu estilo casa perfeitamente com o de Rucka, traduzindo-se numa narrativa fluida e consistente.</p>
<p><em>Morte no Gelo</em> foi indicada a três Eisner Awards em 1999, para <em>Melhor Série Limitada</em>, <em>Melhor Escritor</em> e <em>Melhor Desenhista</em>; <em>Ponto de Fusão</em>, no ano seguinte, foi indicada e vencedora do Eisner de <em>Melhor Série Limitada</em>. Um terceiro volume fora prometido para o fim deste ano, mas provavelmente terá seu lançamento adiado para 2010.</p>
<p>No Brasil, ambos os títulos foram publicados pela Devir. Um filme baseado em <em>Morte no Gelo</em> foi filmado em 2007, mas só aportou recentemente nos cinemas, com um atraso inexplicável de dois anos (!), sob o título<em> Terror na Antárctida</em>. Carrie Stetko é interpretada por <strong>Kate Beckinsale</strong> (cinessérie <em>Underworld</em>).</p>
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