2009
08.15

WAR ZONE cover

O Justiceiro surgiu nas páginas da revista do Homem-Aranha nos anos 70, rapidamente se estabelecendo como um dos personagens mais populares da Marvel, alcançando o auge de popularidade nos 80′s, época em que protagonizou nada menos que três títulos solos mensais, fora as minisséries e one-shots.

Várias foram as tentativas de transpor esse sucesso para as telonas, a começar por O Justiceiro (1989), dirigido por Mark Goldblatt (quem?) e estrelado por Dolph Lundgreen (o antagonista do quarto Rocky). Embora uma reprodução acurada do tratamento que o personagem recebia nos quadrinhos à epoca, o filme foi universalmente execrado tanto por fãs quanto por críticos.

Quinze anos depois, foi a vez de outro título homônimo comandado por Jonathan Hensleigh (Bem-Vindo à Selva e o terceiro Duro de Matar)  e protagonizado por Thomas Jane (que agora envereda pela televisão na série Hung) tentar a sorte na tela grande. Apesar de ser a mais bem-recebida de todas as adaptações do personagem, o longa fracassou tanto comercial quanto criticalmente.

Comparação

E enfim chegamos a este Punisher: War Zone (O Justiceiro: Em Zona de Guerra, por aqui). Concebido pela cineasta iniciante Lexi Alexandre (cujo único outro título no currículo é o projeto pessoal Hooligans), trata-se do primeiro longa do personagem (aqui incorporado por Ray Stevenson) a ter uma classificação R nos EUA, restringindo- o maiores de idade em virtude da violência gráfica apresentada (quase inacreditável que já não fosse assim antes).

No novíssimo (e, provavelmente, o último) filme do Justiceiro, Frank Castle está em atuação há seis anos, exterminando sistematicamente todas as famílias mafiosas de Nova York, incluíndo os Russoti, chachinados durante um banquete familiar, o que abre caminho para que o único sobrevivente da linhagem – Jimmy “The Beaut” Russoti (Dominic West, de A Escuta) – execute seus planos sem ser incomodado – isto é, exceto pelo próprio Justiceiro, com quem ele se envolve num tiroterio que culmina com o mafioso sendo desfigurado num triturador de vidro e a adotar a alcunha de “Retalho” (Jigsaw).

Uma boa diretora + um bom elenco + liberdade criativa = SUCESS!, certo? Errado.

Punisher: War Zone, embora bem intencionado, acaba, assim como seus predecessores, soando terrivelmente genérico; explico: enquanto que nas HQs o conceito de um homem fazendo Justiça com as suas próprias mãos soa original e um tanto subversivo, nos cinemas já é uma premissa explorado há decadas e em n produções diferentes.  O único traço diferencial de Castle da maioria dos papéis que Charles Bronson interpretou ao longo da sua vida é o vestuário.

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A inexperiência de Lexi por trás das câmeras ficou evidente na falta de unidade na abordagem da história; ela se mostrou indecisa quanto ao tom que desejava seguir, seja o satírico e desbocado de Bem-Vindo de Volta, Frank (que “ressuscitou” o personagem para o público), ou o mais sério e sombrio de Punisher MAX (curiosamente, do mesmo autor do primeiro). Esse dilema se manifestou nos atores: enquanto que alguns encaravam seus papéis com seriedade, tentando imprimir um tom realista à trama, outros, como o próprio Dominic West, assumiram uma postura de auto-paródia, evidentemente se divertindo com a composição exageradamente afetada de seus personagens, resultando num contraste incômodo.

Além disso, as inúmeras tentativas do roteiro em incutir razão nas ações do seu protagonista, martelando repetidas vezes a necessidade da existência do Justiceiro, através das vozes de personagens secundários, enfraquece o longa ao desprovê-lo justamente de um dos ângulos mais promissores a serem possivelmente trabalhados: a ambiguidade. Até o epílogo do filme, agentes do FBI, policiais e mesmo vítimas indiretas das ações do Castle (por ex., a viúva de um agente infiltrado que ele matou) se convertem ideologicamente para o seu lado, aderindo à noçao de que os fins justificam os meios.

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Todavia, aos apreciadores de gore, este longa é um must-see. Fazendo jus à sua classificação etária, a câmera não poupa o espectador de cenas de violência explícita e gráfica, com um quê de sadismo embutido que remete às várias películas de ação apelativas dos anos oitenta. Castle atravessa o rosto de um mafioso com a “perna” de uma cadeira, explode outros, mutila, esquarteja e incendeia tantos mais, a  câmera a testemunhar tudo com detalhes. E seu nêmesis não fica muito atrás, atravessando de ponta-a-ponta o pescoço de um parceiro de negócios com uma caneta por uma trivialidade (com um quê de humor-negro, como mencionei antes).

Assim como os seus antecessores, Punisher: War Zone foi um retumbante fracasso de bilheteria, sendo lançado direto-em-DVD em terras tupiniquins, repetindo a trajetória do longa com Thomas Jane, pondo, mais uma vez, a franquia em suspensão nos cinemas indefinitivamente.

Enquanto não acertam a mão no cinema, pode-se sempre contar com as excelentes histórias que Garth Ennis escreveu para o personagem ao longo desta década na linha MAX, que exploram, aprofundam e redimensionam a história do personagem., através de narrativas que nada devem aos melhores thrillers dcontemporâneos.

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