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Antigo 04-05-2009, 10:24   #1
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Padrão Sinédoque, Nova York (Synecdoche, New York, 2008)

Artigo postado originalmente no BNBlog


Um dramaturgo hipocondríaco está sufocado com sua nova obra-prima: uma réplica em tamanho real de Nova York em um galpão, enquanto tem que conviver com as mulheres de sua vida.

Em seu novo alter-ego (Caden Cotard), Charlie Kaufman tenta nos mostrar a angústia da morte imediata e o egocentrismo de sua personagem. O dramaturgo não se preocupa quando suas mulheres desaparecem de sua vida ou quando os anos se passam. Preso a si mesmo, acha que o tempo não o deixará para trás e, sim, que estará sempre à frente. Dessa forma, Caden resolve criar sua própria Nova York, em uma tentativa megalomaníaca de se tornar Deus.

Como Deus de seu próprio mundo, ele comanda e escolhe o que cada um deve fazer, sempre seguindo a realidade dos eventos que se antecederam até a peça tornar-se, em dado ponto, o presente da vida de Caden. Entretanto, ele mesmo não consegue prosseguir com sua vida e sua peça acaba por criar vida própria (criando uma peça dentro da peça e outra peça dentro da peça); dessa maneira, Caden é onipresente e, apesar de ter um papel na peça original (vida), ele não percebe e continua a controlar seu universo particular centrado em seu próprio ser. Esquecendo suas mulheres e filhas. Cotard some do mundo “real” e não consegue mais interagir com as pessoas deste lado (quando encarna a “personagem” Beth na vida real, também não consegue ser visto por sua ex-mulher).



A peça de Cotard, que nunca consegue um nome, torna-se uma imensa projeção de seres sem alma, refletindo apenas os personagens em que se basearam, que por outra vez se basearam em outros e até chegarem aos originais, que nem mesmo tem em quem se inspirar e logo acabam por modelos herméticos um dos outros. A “consciência” da interpretação de cada ator é tão forte que não é preciso mais roteiros mais; eles sabem o que pensam seus modelos originais. Vivem da informação e, assim, seu conteúdo, seu sentido (que era a intenção inicial, a busca pelo sentido da vida de seu Deus, Cotard), é devorado e perdido.

Essa ironia na projeção de sua vida que não lhe pertence mais prova que Caden Cotard não ansiava pela morte imediata, mas pela propagação de sua dor para a eternidade (assim como a máquina de Morel). Porém sua vida de Deus não avança e nem retrocede. A peça torna-se uma desconstrução de si mesma e a única maneira de conseguir ser finalizada é seu Deus tornar-se real a ela.

Negando a estética das obras anteriores (dirigidas por Michel Gondry e Spike Jonze) ao querer sua própria direção nesse novo longa, Charlie Kaufman exibe um humor discreto e ao mesmo tempo histérico (e sempre trágico).

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Antigo 17-05-2009, 22:38   #3
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Padrão Re: Sinédoque, Nova York

Esse é um dos mistérios da análise. Como eu acho que existe um ciclo muito grande, antes mesmo da peça começar, essa casa pertencia a uma pré peça. Afinal ela não é reproduzida na peça original em nenhum momento, sendo que a dona da casa participa ativamente da peça.

Eu penso que ocorria uma pré-peça, porque o primeiro ator a encanar o Cotard, aparece na tela bem antes dele começar a montagem.

Agora, se ela significa uma alegoria psicológica, seria o subsconsciente do Cotard, na minha opinião, claro.
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Antigo 17-05-2009, 22:46   #4
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Padrão Re: Sinédoque, Nova York

humm...é um belo mindfuck mesmo. Anyway, gostei do seu artigo. Esclareceu alguns pontos.
Agora, apesar de não achar o filme cansativo ou monótono, eu senti que passei pelo menos umas 3h sentado no sofá assistindo-o. Mais alguém teve essa impressão?
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catherine keener, charlie kaufman, figuras de linguagem, mindfuck, nova york, philip seymour hoffman, sinédoque

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