| Tela Geeks Discussões sobre produções para cinema, séries, tv aberta, tv paga e demais produções audiovisuais. |
![]() |
|
|
Opções do Tópico |
|
|
#1 | |||||||||||
|
Old School
![]()
Data de Entrada: 22 Aug 2008
Local: São Paulo
Sexo: Masculino
Mensagens: 1.451
Karma: 2 (316) ![]() ![]() ![]() ![]() |
0
Um dramaturgo hipocondríaco está sufocado com sua nova obra-prima: uma réplica em tamanho real de Nova York em um galpão, enquanto tem que conviver com as mulheres de sua vida.
Em seu novo alter-ego (Caden Cotard), Charlie Kaufman tenta nos mostrar a angústia da morte imediata e o egocentrismo de sua personagem. O dramaturgo não se preocupa quando suas mulheres desaparecem de sua vida ou quando os anos se passam. Preso a si mesmo, acha que o tempo não o deixará para trás e, sim, que estará sempre à frente. Dessa forma, Caden resolve criar sua própria Nova York, em uma tentativa megalomaníaca de se tornar Deus. Como Deus de seu próprio mundo, ele comanda e escolhe o que cada um deve fazer, sempre seguindo a realidade dos eventos que se antecederam até a peça tornar-se, em dado ponto, o presente da vida de Caden. Entretanto, ele mesmo não consegue prosseguir com sua vida e sua peça acaba por criar vida própria (criando uma peça dentro da peça e outra peça dentro da peça); dessa maneira, Caden é onipresente e, apesar de ter um papel na peça original (vida), ele não percebe e continua a controlar seu universo particular centrado em seu próprio ser. Esquecendo suas mulheres e filhas. Cotard some do mundo “real” e não consegue mais interagir com as pessoas deste lado (quando encarna a “personagem” Beth na vida real, também não consegue ser visto por sua ex-mulher). ![]() A peça de Cotard, que nunca consegue um nome, torna-se uma imensa projeção de seres sem alma, refletindo apenas os personagens em que se basearam, que por outra vez se basearam em outros e até chegarem aos originais, que nem mesmo tem em quem se inspirar e logo acabam por modelos herméticos um dos outros. A “consciência” da interpretação de cada ator é tão forte que não é preciso mais roteiros mais; eles sabem o que pensam seus modelos originais. Vivem da informação e, assim, seu conteúdo, seu sentido (que era a intenção inicial, a busca pelo sentido da vida de seu Deus, Cotard), é devorado e perdido. Essa ironia na projeção de sua vida que não lhe pertence mais prova que Caden Cotard não ansiava pela morte imediata, mas pela propagação de sua dor para a eternidade (assim como a máquina de Morel). Porém sua vida de Deus não avança e nem retrocede. A peça torna-se uma desconstrução de si mesma e a única maneira de conseguir ser finalizada é seu Deus tornar-se real a ela. Negando a estética das obras anteriores (dirigidas por Michel Gondry e Spike Jonze) ao querer sua própria direção nesse novo longa, Charlie Kaufman exibe um humor discreto e ao mesmo tempo histérico (e sempre trágico).
__________________
[Meia Palavra] [Kino] "The German will be sickened by us, the German will talk about us, and the German will fear us." |
|||||||||||
|
|
|
| Sponsored Links |
|
|
#2 | |||||||||||
|
Fake Palindrome
![]()
Data de Entrada: 30 Aug 2008
Sexo: Masculino
Mensagens: 1.927
Karma: 4 (683) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
0
Pips, qual é a da casa sempre em chamas?
__________________
|
|||||||||||
|
|
|
|
|
#3 | |||||||||||
|
Old School
![]()
Data de Entrada: 22 Aug 2008
Local: São Paulo
Sexo: Masculino
Mensagens: 1.451
Karma: 2 (316) ![]() ![]() ![]() ![]() |
0
Esse é um dos mistérios da análise. Como eu acho que existe um ciclo muito grande, antes mesmo da peça começar, essa casa pertencia a uma pré peça. Afinal ela não é reproduzida na peça original em nenhum momento, sendo que a dona da casa participa ativamente da peça.
Eu penso que ocorria uma pré-peça, porque o primeiro ator a encanar o Cotard, aparece na tela bem antes dele começar a montagem. Agora, se ela significa uma alegoria psicológica, seria o subsconsciente do Cotard, na minha opinião, claro.
__________________
[Meia Palavra] [Kino] "The German will be sickened by us, the German will talk about us, and the German will fear us." |
|||||||||||
|
|
|
|
|
#4 | |||||||||||
|
Fake Palindrome
![]()
Data de Entrada: 30 Aug 2008
Sexo: Masculino
Mensagens: 1.927
Karma: 4 (683) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() |
0
humm...é um belo mindfuck mesmo. Anyway, gostei do seu artigo. Esclareceu alguns pontos.
Agora, apesar de não achar o filme cansativo ou monótono, eu senti que passei pelo menos umas 3h sentado no sofá assistindo-o. Mais alguém teve essa impressão?
__________________
|
|||||||||||
|
|
|
![]() |
| Bookmarks |
| Tags |
| catherine keener, charlie kaufman, figuras de linguagem, mindfuck, nova york, philip seymour hoffman, sinédoque |
| Opções do Tópico | |
|
|