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The Morphine Child
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Data de Entrada: 23 Jul 2008
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![]() ![]() Interessante notar que o contato entre pai e filho foi bastante reduzido, tendo Tim visto seu filho apenas uma vez após se divorciar de sua mãe. Apesar de ter seguido o caminho da música, influenciado principalmente por sua mãe, uma pianista clássica, e seu padrasto, que lhe apresentou logo cedo a música de Led Zeppelin, The Who, Jimi Hendrix e Pink Floyd, inicialmente Jeff Buckley optou pelo posto de guitarrista, se recusando a cantar. O maior motivo por traz disso era evitar comparações com seu pai, e tentar conquistar fama por seus próprios méritos. Ironicamente, a ascensão ao sucesso veio após aceitar um convite para cantar num show tributo à Tim Buckley. Segundo Jeff, participar de tal tributo não era tentar conseguir fama à custa do nome de seu pai, mas sim resolver alguns problemas de ordem pessoal. Após o concerto, passou a se apresentar regularmente no café Sin-é no East Village de Nova Iorque. Seu repertório consistia de covers de rock, folk, R&B, blues e jazz, com a aparição constante das músicas em que trabalhava para seu lançamento próprio e que já haviam aparecido no demo Babylon Dungeons Sessions. Os shows que fazia no Sin-é logo atrairam a atenção das gravadoras, anciosas por ter um talento como o seu constando em seu catálogo de artistas. Jeff assinou um contrato com a Columbia Records, que logo tratou de lançar no mercado o disco Live at Sin-é, um retrato das apresentações de Buckley nesse período. Em 1994, dois anos após a assinatura do contrato, durante a turnê de divulgação do disco ao vivo, foi lançado o único disco de estúdio oficial de sua carreira: Grace. O grande mérito de Grace não é somente apresentar o ótimo vocal e a capacidade excelente de interpretação que Jeff Buckley possuia, mas sim ter a cara de um álbum não de um artista iniciante, mas sim de alguém já bastante experiente na área. Grace é um dos poucos álbuns que abrem não só com duas ou três faixas excelentes, mas sim um que consegue manter esse ritmo por suas 7 primeiras faixas. Para um disco de 10 faixas, ainda mais de um artista iniciante, isso é no mínimo surpreendente. Díficil falar de uma faixa específica que mereça atenção, pois o disco é daqueles que merece ser ouvido do começo ao fim, sem interrupções. Mas devo citar, como minhas favoritas, a faixa de abertura, Mojo Pin, a extremamente tocante Last Goodbye e a emocionante Lover, You Should've Come Over. Também vale citar a versão de Hallelujah, de Leonard Cohen e a faixa Eternal Life. Em 2004, o disco foi relançado em sua Legacy Edition, contendo versões alternativas para algumas músicas, além de adicionar algumas gravações de estúdio não utilizadas com material inédito. O trabalho de divulgação de Grace seguiu por um ano e meio após seu lançamento. Apesar de suas vendas lentas, o álbum alcançou o disco de ouro na França e Austrália nos dois anos seguintes a seu lançamento. Em 2002, finalmente atingiu o disco de ouro nos Estados Unidos e no mesmo ano atingiu seis vezes o disco de Platina na Austrália. Após o fim da turnê, em 1996, Buckley começou a trabalhar em seu segundo trabalho, intitulado My Sweetheart The Drunk, trabalho que nunca seria completado. Na noite de 29 de maio de 1997, enquanto esperava que sua banda voasse até o estúdio em Memphis onde estavam trabalhando no álbum, Jeff Buckley foi nadar no Wolf River Harbor, acompanhado pelo roadie Keith Foti. Após o roadie ter se afastado, para evitar que o rádio e a guitarra de Buckley se molhassem, notou que este havia sumido. Apesar dos esforços de equipes de resgate, seu corpo foi encontrado somente no dia 4 de junho. A morte de Jeff Buckley, como a de todo artista promissor cuja vida é interrompida antes do previsto, não significou o fim de lançamentos com seu nome. Foram lançados diversos discos ao vivo, além das gravações não finalizadas de My Sweetheart the Drunk. Além disso, tanto Grace quanto Live at Sin-é foram relançadas com diversos extras, nas chamadas Legacy Edition. Apesar de soar como oportunismo por parte da gravadora (o que não deixa de ser em parte), o lançamento desse material só mostra uma vez mais o talento que Buckley possuia, que com o tempo poderia atingir níveis ainda maiores. Em meio à diversos artistas descartáveis que surgiram na década de 1990, Buckley merece destaque pelo sua qualidade, e por não ter se rendido à moda do grunge, tão presente nessa época. Isso talvez explique a relativa falta de sucesso que obteve durante sua curta carreira, pois se recusava a seguir tais modismos. Recentemente seu trabalho vem sendo redescoberto, principalmente devido ao lançamento das Legacy Editions, que finalmente estão trazendo o tão merecido reconhecimento que Jeff Buckley não teve durante a vida.
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